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O que um piloto faz na folga, além de voar?

O que um piloto faz na folga, além de voar?

E foi uma longa pausa até aqui. Mas estamos de volta, dessa vez para falar de um outro assunto. Hobbies de pilotos. Pois é, as pessoas nem sempre – creio que na verdade, a maioria – trabalham com o que gostam. É comum vê-las comemorar a sexta-feira e lamentar a segunda. Então, nada mais natural que elas tenham coisas que as distraia fora do ambiente de trabalho, que as faça desligar do assunto do qual tratam profissionalmente.

Já os pilotos, em grande parte, gostam bastante do que fazem, muitos sempre quiseram esta profissão desde pequenos, então, o que uma pessoa que trabalha com seu sonho de criança vai querer fazer na folga? Pois é, há os que gostam de adrenalina. Muitos, mas muitos pilotos mesmo gostam de motociclismo. Tanto os mais novos quanto os mais velhos costumam passar suas folgas andando em motos dos mais variados tipos, clássicas, off-road, potentes. Acho que se eu tivesse que listar o hobbie número um dos pilotos, há boas chances de que as motos ganhassem. Dentre os radicais, também há os que gostam de aviação acrobática. Muitos dos maiores pilotos acrobáticos do mundo são ou foram pilotos de linha aérea, e dá para entender: são aviações que se complementam, de tão diferentes que são em coisas como o conforto do passageiro, mas tão semelhantes que são em valores como a disciplina. Muitos pilotos pegam mais leve, e voam apenas por lazer em seus monomotores. Afinal, voar quando, com quem e para onde você quiser é quase o oposto do cotidiano de Boeing e Airbus. É um hobbie caro, portanto, alguns tem seus aviões, outros apenas alugam quando podem – como eu. Por essas e outras, alguns mantém, mesmo na linha aérea, o hobbie de usar simuladores de voo caseiros, seja para praticar algo diferente, treinar para uma seleção ou mesmo para fazer o que o dinheiro não permite fazer na vida real. Ainda no quesito aviação, tem o pessoal do planador, que é outra filosofia, em outro ritmo. Também tem o ritmo do ciclismo, do alpinismo, do trekking, da corrida, da malhação. Seja na academia do hotel, seja na rambla da cidade do pernoite, tripulante que se preocupa com a saúde sempre dá um jeito de se exercitar. E saúde, na nossa profissão, é fundamental: qualquer problema ligeiramente mais grave pode simplesmente nos impedir de trabalhar, às vezes, para sempre. Em que outra profissão há seguro de carteira? Então, para quem come e dorme em horários errados graças ao estilo de vida inevitável da aviação, o jeito é não descuidar.

Mas, já dizia Fernando Pessoa que foi no mar que Deus espelhou o céu. Portanto, nada mais natural que muitos dos pilotos que não se encontraram no tênis, nas motos, na corrida, na malhação, nem na própria aviação de final de semana, tenham se encontrado justo nele. Surfistas, há aos montes. Alguns são mais pose que outra coisa, mas muitos escolhem morar em bases de cidades de praia de propósito, só para no menor tempo livre, aproveitar para surfar. Skate e ski, esportes parentes, claro que têm seu espaço. Mas, voltando ao mar, há muitos mesmo que têm lanchas e iates. E o contrário também, pelo que percebi: o Piper Archer que voei nos Estados Unidos anos atrás pertencia a um marujo de profissão! Mas claro, que como você imaginou, não é qualquer salário que suporta manter uma lancha, menos ainda um iate. E é aí que entra um dos mais bacanas hobbies dentre os pilotos: a vela. De pequenos monotipos a confortáveis veleiros de cruzeiro, há pilotos até que moram no barco boa parte do ano. Seja como for, este é um hobbie bem mais barato do que parece, e que faz algo que às vezes, os longos voos no ar-condicionado da cabine pressurizada nos fazem esquecer: o quanto é bom estar em contato com a natureza e colocar, no entendimento dos seus humores, nossa segurança e transporte. Porque se há alguém que pensa em combustível o tempo todo, são os pilotos: poder se mover sem gastar uma gota de gasolina é no mínimo uma experiência transcendental para nós.

Foto: Vivi a vida toda próximo ao mar, mas descobri tardiamente o quão velejar é bom, justo nas águas de Florianópolis, Brasil. Não deixa de ser curioso trocar um trabalho de 400 nós por um lazer cem vezes mais lento

Nota: Todos os textos publicados na secção blogger integram um espaço de participação dos leitores e seguidores, que convidamos para tal. São da responsabilidade do autor, sendo que não expressam necessariamente a opinião da NEWSAVIA.

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