Aeródromo de Mocímboa da Praia (Moçambique) destruído por terroristas

O Aeródromo da vila de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, ficou parcialmente destruído na última segunda-feira, dia 23 de março, após mais um ataque protagonizado por terroristas identificados com grupos islâmicos, que têm desenvolvido diversos ataques, com muita destruição e dezenas de mortos em Cabo Delgado desde outubro de 2017.

Estes ataques acontecem desde há sete anos, primeira com destruição menor, após a descoberta de grandes quantidades de gás natural na bacia do Rovuma, localizada na mesma província, e que levou diversas multinacionais do sector do petróleo e gás a instalar-se na zona.

O incidente aconteceu na madrugada de segunda-feira passada, mas só no final de semana é que começou a ser noticiado. Foi cometido por um grupo de homens armados até hoje não identificados. Na vila, os insurgentes, como denominam as autoridades moçambicanas, incendiaram bens e mataram civis. De entre as várias infraestruturas identificadas, o grupo atacou o aeródromo local, incendiou as instalações, facto que automaticamente levou ao encerramento do movimento aéreo.

Ocorrido no princípio da semana, o relato da destruição parcial do Aeródromo só foi tornado público na última sexta-feira, dia 27 de março, depois de conhecido e divulgado um vídeo feito pelas Forças de Defesa e Segurança de Moçambique (FADM) que permite aferir o nível de destruição.

No vídeo, a que o ‘NewsAvia’ teve acesso, as forças armadas mostram um veículo da empresa Aeroportos de Moçambique, tipo dupla cabina, marca ‘Mahindra’, totalmente destruído pelo fogo. Outro veículo da empresa é um mini-autocarro ‘Toyota’, de 15 lugares que foi vandalizado e deixado com a porta aberta.

O vídeo mostra ainda que vários compartimentos do edifício (ou escritórios) do Aeródromo ficaram totalmente destruídos pelo fogo atiçado pelos referidos insurgentes. Dois oficiais das FADM dizem, no filme, que o nível de destruição da infraestrutura mostra um elevado poder bélico dos insurgentes.

“Esse foi o último cenário que passamos aqui na vila de Mocímboa da Praia. Como as imagens ilustram, não foi nada fácil. Verdadeiramente os insurgentes vieram com tudo para acabar com essa nossa bela vila, vulgo Mocímboa da Praia. Trabalhamos no sentido de controlar tudo, mas os homens vieram com tudo. Aqui no aeroporto, tentamos defender, mas eles usaram mesmo armas pesadas”, relatam os autores do vídeo, acompanhados por mais outros dois oficiais das FADM.

A data de reabertura do aeródromo continua incerta. Uma fonte dos Aeroportos de Moçambique, disse ao ‘Newsavia’ que à semelhança de tantas outras estruturas aeroportuárias, o Aeródromo de Mocímboa da Praia tem um posto policial que assegura a vigilância e defesa, mas mesmo assim foi atacado.

Quatro dias depois do ataque, o nosso interlocutor afirmou ser prematuro conhecer o real impacto causado pela destruição, pois, até esta sexta-feira, os Aeroportos de Moçambique ainda não tinham mandado uma equipa para, no local, avaliar os prejuízos causados. Nesse contexto, a fonte disse ser cedo definir-se a data de início e fim da reabilitação do aeródromo para retoma do trafego aéreo.

Sobre o mesmo assunto, o Jornal ‘Savana’, um semanário nacional, lembra que a destruição do aeródromo acontece dois anos após a sua reabertura ao tráfego, após uma reabilitação que custou aos Aeroportos de Moçambique 24 milhões de meticais, equivalente a cerca de 369 700 euros ao câmbio atual (LINK notícia relacionada).

 

  • Texto: Evaristo Fernando Chilingue, especial para o ‘Newsavia’.
  • As imagens que ilustram o texto foram retiradas do vídeo da autoria das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique (FADM)

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