Aeroporto de Beja vai receber ‘clínica’ de aviões

A ANA Aeroportos de Portugal (uma empresa do grupo Vinci Airports) e a AeroNeo, formalizaram nesta sexta-feira, dia 31 de Julho, a assinatura de uma licença de ocupação que visa a construção e exploração de uma unidade industrial no terminal civil do Aeroporto de Beja, no sul do País, destinada à manutenção, desmantelamento e certificação de componentes recuperáveis de aeronaves.

“É o primeiro verdadeiro projecto com relevância para o aeroporto de Beja, com um valor de investimento equivalente a um quarto do investimento realizado no aeroporto e um efectivo 13 vezes superior ao staff do terminal civil de Beja (seis pessoas)”, revelou Jorge Ponce de Leão, presidente da ANA, acrescentando que “um aeroporto não é só para o transporte de passageiros”.

O investimento programado nesta nova unidade industrial, que será implantada numa área de 7.500 metros quadrados, ascende a cerca de 8 milhões de euros. Na sua fase de exploração poderá proporcionar a criação de 80 postos de trabalho directos (30 dos quais, logo a partir do primeiro ano).

Aero Beja Protocolo com AeroNeo 31jul2015 500pxDominique Verhaegen, managing partner da AeroNeo, anunciou a inauguração das novas instalações e a chegada do primeiro avião no prazo de um ano e meio, embora uma equipa técnica comece já a trabalhar no terreno nas próximas duas semanas e a empresa se prepare para abrir um escritório em Beja, no mês de Setembro.

O responsável da empresa que vai investir no Baixo Alentejo recordou que “tudo começou em 2011, com a retirada do projecto da Tunísia, na sequência dos eventos da Primavera Árabe. Mudámos drasticamente de estratégia e encontrámos as condições ideais em Portugal: posição geoestratégica próxima do nosso principal mercado (África), climatologia seca favorável ao manuseamento de componentes aeronáuticos, ligações ao oceano a partir de Sines e ao corredor ibérico.”

Igualmente presente na cerimónia, o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, sublinhou que “também, para o Governo, este é um dia importante, por ter pedido à ANA, há quatro anos, que encontrasse uma vocação para o aeroporto de Beja, dado que o número de passageiros estava longe de corresponder aos planos inicialmente traçados”. No entanto, Sérgio Monteiro afastou qualquer apropriação da assinatura deste contrato por parte do Governo, salientando que o mesmo partiu da iniciativa de duas empresas privadas. “Identificámos a possibilidade de existir aqui um cluster industrial, com mão-de-obra especializada. É uma boa notícia para Beja, para a região e para Portugal. Por isso, gostava que estivessem aqui mais pessoas, nomeadamente, aqueles que mais criticaram e defenderam soluções para este aeroporto”, frisou o secretário de Estado.

O projecto que a AeroNeo irá desenvolver no terminal civil de Beja baseia-se no conceito GreenParts 95, tendo por objectivo a valorização de activos aeronáuticos por via da gestão integral de aviões em fim de vida no qual a manutenção, o desmantelamento, o reaproveitamento e a reciclagem são assumidos como elos de cadeias integradas, no respeito pelas melhores práticas ambientais.

Dominique Verhaegen, que compara as instalações da AeroNeo, “mais a uma ‘clínica’ de aviões do que a um estaleiro de sucata”, revelou que “as 16 toneladas de alumínio que retiramos de um Airbus A319 serão tratadas em Sines, onde já existe o embrião de reciclagem”.

 

  • Texto e foto: Alexandre Coutinho

1 Comments

  1. Avatar

    Clinica ou Cemitério? Alentejo vai virar “the portuguese Arizona airplanes junkyard?

Leave A Comment

Download de Notícias

Destaques

Temas

Área Geográfica