Airbus reconhece existência de falhas técnicas nos novos A330-900neo

A Airbus enviou uma carta à TAP Air Portugal na qual admite que os novos aviões A330-900neo que entraram em dezembro passado ao serviço da companhia portuguesa têm falhas técnicas e refere que já criou um grupo de trabalho que está a debruçar-se sobre o problema, procurando soluções adequadas.

O reconhecimento das falhas técnicas surge numa carta enviada pela Airbus à TAP em 7 de junho passado, numa ocasião em que ainda não tinham sido divulgadas notícias sobre os problemas verificados.

Na carta, citada na edição desta segunda-feira, dia 15 de julho, pelo jornal ‘Diário de Notícias’ (DN) de Lisboa, lê-se que a fábrica europeia recebeu relatos de “dois efeitos diferentes: cheiros pouco comuns e sintomas de desconforto, não havendo uma correlação entre os dois fatores“.

De acordo com a carta, a Airbus detetou, durante os testes de voo, “que o arranque do motor poderia gerar odores na cabina”, uma vez que “algumas gostas de óleo poderiam ser libertadas no compressor de alta pressão”. Essas gotas de óleo seriam responsáveis pelo “cheiro a óleo durante a fase de táxi (circulação nos acesos à pista), descolagem e subida”.

Relativamente a este problema, a Airbus diz que já adotou medidas para mitigar os efeitos. Mas há outro problema identificado nos aviões, no sistema de ar condicionado. De acordo com a carta citada pelo DN, o ar saído do compressor reage com a tinta de revestimento do avião, contribuindo para os maus odores sentidos durante a viagem.

Em declarações ao mesmo jornal, a Airbus destacou que, “no que diz respeito aos cheiros, foi formada uma task force” e que “as investigações técnicas estão já em curso para explorar uma lista exaustiva de potenciais causas do problema”.

A companhia aérea portuguesa mandou investigar no mês passado depois de vários relatos de maus cheiros, indisposições e vómitos a bordo.  Relativamente a estes problemas denunciados pelas tripulações destes novos aviões, a Airbus diz ainda não ter resposta.

Não são só os tripulantes de cabina a queixar-se. Os pilotos também estão preocupados. Numa carta escrita pelo SPAC, o sindicato dos pilotos diz que “tem vindo a acompanhar com grande apreensão” o fenómeno de odores e vapores nos novos aviões.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) anunciou na semana passada que já contava mais de uma dezena de casos de enjoos, tonturas, ardor nos olhos e “confusão mental” em tripulantes e passageiros. O SNPVAC diz ter já recebido mais de uma dezena de denúncias de indisposições “que estão a colocar em alvoroço os tripulantes de bordo” da companhia aérea e que terão motivado várias reuniões de alto nível. Apesar de parecer não haver problema para a saúde, o sindicato diz que “assim é que não pode continuar” e ameaça convocar uma greve “caso a TAP não mostre garantias de que o problema pode ser resolvido em pouco tempo”.

Também na semana passada, a TAP garantiu que testes efetuados a bordo dos novos A330neo não encontraram “a bordo quaisquer substâncias que possam constituir um perigo para a saúde dos tripulantes e dos passageiros”, nem “registo de insuficiência de oxigénio”.

A companhia aérea portuguesa, à semelhança do que já fez a Airbus, garante que os fenómenos verificados nestes aparelhos não têm efeitos nocivos para a saúde, não se tratando de gases tóxicos que possam afetar passageiros, tripulantes ou pilotos. A segurança dos voos não estará em causa, disseram a companhia aérea e a fábrica europeia.

 

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