Antonoaldo deixa a TAP com agradecimentos e “sentimento de missão cumprida”

O brasileiro Antonoaldo Neves deixou nesta quarta-feira, dia 16 de setembro, as funções de presidente executivo (CEO) do Grupo TAP. O lugar será ocupado, interinamente, por Ramiro Sequeira, como já tinha sido anunciado, até que seja encontrado, no mercado internacional, um novo gestor de topo para a companhia aérea portuguesa.

Antonoaldo Neves, que também tem a nacionalidade portuguesa, já que é descendente direto de portugueses, despediu-se da família TAP com uma carta, divulgada pela agência de notícias ‘Lusa’ nesta quarta-feira, na qual diz que “há sempre espaço para fazer mais e melhor”, adiantando que deixa a companhia aérea “com sentimento de missão cumprida”. Tinha entrado na TAP em 2017, trazido pelo ex-CEO Fernando Pinto, por indicação de David Neeleman, um dos principais acionistas privados da companhia depois da privatização, fundador e controlador da companhia brasileira Azul, onde Antonoaldo Neves desempenhou, até essa data, iguais funções de presidente executivo.

“Há sempre espaço e oportunidade para fazer mais e melhor. Nunca deixem de acreditar nisso. Ainda assim, saio com sentimento de missão cumprida. […] Saio com a consciência e com o coração completamente tranquilos por ter dado o meu contributo, profissional e enérgico, sempre para o melhor da TAP“, afirmou Antonoaldo Neves, numa carta dirigida à “família TAP”.

Antonoaldo Neves, que deixa a TAP na sequência do acordo entre o Governo Português e os acionistas privados para reestruturação da companhia, na sequência dos maus resultados apresentados e da situação criada pela pandemia de covid-19, agradece ao Conselho de Administração “pelo seu engajamento e vontade de contribuir com a TAP”, deixa “uma palavra especial de gratidão ao David Neeleman e ao Humberto Pedrosa, pela oportunidade de viver este desafio”, a Fernando Pinto, que, com imensa bondade, o integrou na família TAP, aos colegas da Comissão Executiva, “profissionais de grande valor, e do C Level” e ainda aos portugueses, em geral, que “tão bem” o acolheram bem como à família.

Na carta, o presidente executivo que liderou a TAP desde janeiro de 2018, sucedendo a Fernando Pinto, deixa ainda “uma palavra de apreço e encorajamento ao Ramiro, que saberá dar o seu melhor para motivar e criar as condições para que todos possam contribuir para ultrapassar este desafio e dar um novo futuro à nossa TAP”.

Sobre a sua saída, anunciada pelo Governo em julho, Antonoaldo Neves considera que “são movimentos normais no mundo empresarial”.

Em relação à TAP, que terá que enfrentar um processo de reestruturação, Antonoaldo Neves defende que o desafio que “tem pela frente é enorme”, manifestando “esperança de que um novo ciclo se iniciará, beneficiando de tudo de bom que advém de 75 anos de história e do calibre que esta equipa tem para enfrentar e ultrapassar desafios sem tamanho”.

“O desafio que a TAP tem pela frente é enorme e, para além da alma, é preciso muito foco e união. Tenho a esperança de que um novo ciclo se iniciará, beneficiando de tudo de bom que advém de 75 anos de história e do calibre que esta equipa tem para enfrentar e ultrapassar desafios sem tamanho”, lê-se no documento.

Antonoaldo Neves aproveita para recordar “muitas vitórias” alcançadas “nos últimos anos”, enumerando a renovação da frota, novos destinos, a duplicação da satisfação do cliente, a reestruturação da ME (Manutenção e Engenharia) Brasil, financiamento nos mercados financeiros internacionais, a reestruturação da dívida, “diminuindo significativamente o seu peso e aumentando a sua maturidade”.

“Contratámos mais de 2.000 pessoas e assegurámos a paz social, não houve greves na TAP desde a privatização. Passámos de 10,6 milhões de passageiros para 17,1 milhões, 80% dos quais são estrangeiros e, em 2019, fomos escolhidos como a melhor empresa para trabalhar em Portugal”, acrescentou.

Em 2 julho, quando anunciou o acordo com os acionistas privados para o Estado ficar com 72,5% do capital – e a saída de David Neeleman –, o ministro da tutela, Pedro Nuno Santos, tinha dito que Antonoaldo Neves seria substituído “de imediato”. As negociações para a saída demoraram algum tempo, desconhecendo-se, por enquanto, os termos do acordo alcançado entre as partes.

O Estado português detém agora uma participação social de 72,5%, o empresário português Humberto Pedrosa (antigo sócio de David Neeleman na ‘Atlantic Gateway’) 22,5% e os trabalhadores da TAP os restantes 5% do grupo aéreo nacional, o maior do País no sector da aviação, considerado em 2019 a maior empresa exportadora portuguesa, pelo seu volume de vendas no estrangeiro.

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    “Em 2 julho, quando anunciou o acordo com os acionistas privados para o Estado ficar com 72,5% do capital – e a saída de David Neeleman –, o ministro da tutela, Pedro Nuno Santos, tinha dito que Antonoaldo Neves seria substituído “de imediato”.
    afinal o sr. A.Neves sai em SET
    como é que os politicos portugueses querem ser credíveis com declarações daquelas?
    este sr. ministro não é desbocado demais?
    como pode ser ministro?

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