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Binter Canarias disse ao primeiro-ministro de Cabo Verde que quer competir no inter-ilhas com a TACV

A Agência de Aviação Civil de Cabo Verde (AAC), entidade que no país corresponde ao INAC português, com responsabilidades e regulamentação do sector aeronáutico, esclareceu que não recebeu qualquer pedido por parte da companhia aérea espanhola Binter Canarias para operar entre as ilhas de Cabo Verde.

O esclarecimento surge depois da publicação de diversas notícias que davam conta que a Binter iria iniciar em breve voos inter-ilhas na República de Cabo Verde, e que têm sido alimentadas especialmente por jornais das ilhas Canárias.

A edição digital do jornal cabo-verdiano ‘A Semana’ cita declarações de Octávio Oliveira, administrador da AAC, que diz que, do ponto de vista formal, ainda nada aconteceu. Contudo, o jornal adianta que não há na lei cabo-verdiana nada que possa obstar a aspiração da Binter Canárias operar no mercado doméstico nacional. Mas, para isso, a companhia espanhola terá de constituir uma empresa no país e solicitar a respectiva licença. “A companhia aérea terá de solicitar uma certificação técnica e uma licença de exploração. Desde que cumpra os regulamentos está apta para operar”, revela o administrador da AAC.

A última notícia conhecida sobre a eventual intenção dos espanhóis foi veiculada pelo portal ‘www.finanzas.com’ que diz que a Binter Canárias desenvolve esforços para ainda este ano iniciar as operações inter-ilhas em Cabo Verde.

O director da empresa, Juan Ramsden, que na semana passada esteve em Cabo Verde para contactos com as autoridades e foi recebido pelo Chefe do Governo, José Maria Neves, explica ao ‘finanzas.com’ que desde que a companhia aérea começou a voar para Cabo Verde (Setembro de 2012) estuda com o Ministério das Infra-estruturas e Economia Marítima (MIEM) a possibilidade de aumentar a sua presença no país.

O primeiro passo será adequar a empresa à legislação cabo-verdiana, que exige que as ligações domésticas sejam feitas por operadoras com sede no país. Juan Ramsden garante que a Binter Canárias já está a projectar uma empresa de direito cabo-verdiano. “Os documentos estão a ser preparados e serão enviados para a Autoridade da Aviação Civil de Cabo Verde”, afirma o empresário, estimando que a tramitação burocrática se arraste por seis meses. Segundo os planos da Binter, as ligações inter-ilhas serão feitas de forma progressiva. Numa primeira fase com duas aeronaves, que poderão ser reforçadas com mais três aparelhos.

Ramsden estima que os cinco aparelhos exigirão cerca de 200 funcionários, entre tripulação e técnicos de manutenção. “Vamos competir com a empresa pública cabo-verdiana, a TACV, em igualdade de condições. Estamos, por isso, a analisar o processo com calma e moderação”, pontua.

 

Expansão em África

Juan Ramsden afirma que é intenção dos accionistas da Binter Canárias implementar as rotas domésticas de forma progressiva, seguindo a mesma receita adoptada na expansão para África, a partir de 2005, primeiro com voos para Marrocos e Sahara Ocidental. Mais recentemente introduziu rotas para Cabo Verde, Gâmbia e Senegal. Neste momento aguarda autorização para voar de forma regular para Nouakchott (Mauritânia). Esta estratégia de internacionalização, conforme o director-geral da companhia aérea, coincide com os objectivos de transformar as Canárias num centro logístico de referência a nível da saúde e dos negócios para os países da África Ocidental.

Neste momento, cinco cidades da África Ocidental – Praia, Dacar, Nouakchott, Casablanca e Agadir – já estão ligadas pela Binter a Las Palmas de Grã Canária.

A companhia canária, que também voa para Lisboa e para a Madeira, foi reconhecida no ano passado como a “Empresa Aérea do Ano”, pela Associação das Companhias Aéreas Regionais da Europa (ERA).

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