Avianca Brasil solicita proteção de credores devido a dificuldades financeiras

A OceanAir, empresa de transporte aéreo que utiliza a designação comercial Avianca Brasil, apresentou nesta segunda-feira, dia 10 de dezembro, um pedido de “recuperação judicial” na 1ª Vara Empresarial de São Paulo, em que solicita que todas as ações e execuções em curso sejam suspensas e que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), entidade reguladora no Brasil, mantenha provisória e cautelarmente as rotas que presentemente realiza, visando a recuperação de dívidas que, numa primeira fase, estão avaliadas em cerca de 50 milhões de reais.

“O pedido de urgência foi feito porque a companhia aérea está sob o risco de paralisar suas operações. Endividada, a empresa sofre pressão para devolver aeronaves arrendadas por falta de pagamento, revelou a revista ‘Exame’ na sua edição digital.

A empresa corre o risco de devolver 11 aviões, quase 18% de sua frota, para a empresa de leasing que já anunciou que irá acionar as cláusulas de resgate das aeronaves que devido a não pagamento devem regressar imediatamente. A Avianca Brasil, “enfrenta dificuldades para pagar fornecedores e aeroportos e tem uma dívida com todos os aeroportos brasileiros que pode chegar a mais de 100 milhões de reais”, acrescenta a revista económica brasileira.

A situação da Avianca Brasil, empresa que pertence ao universo Avianca Holdings, controlado pelos conhecidos empresários irmãos José e German Efromovich, colombianos que têm também nacionalidade brasileira e polaca, é considerada grave, do ponto de vista financeiro, mas há analistas que sugerem tratar-se de uma fase menos boa do grupo, a passar por alguns constrangimentos que poderão ser sanados se os seus responsáveis conseguirem o financiamento e apoio dos bancos com quem trabalham. German Efromovich, em 2015, concorreu à privatização da TAP Portugal, tendo sido eliminado a favor da proposta que foi apresentada pelo consórcio luso-brasileiro ‘Atlantic Gateway’.

A Avianca Brasil, ao longo desta semana, tem procurado minimizar a situação. Ao portal de notícias de turismo e viagens brasileiro ‘Panrotas’, a companhia aérea disse nesta terça-feira, dia 11 de dezembro, que “processos como esses são previstos” e que “negociações fazem parte da rotina de qualquer empresa para otimização de resultados”. Um porta-voz da empresa aérea assegurou “que as suas operações não foram ou serão impactadas”.

 

Companhia tem tido um bom desempenho neste ano

A Avianca Brasil aumentou o número de passageiros transportados neste ano, somando já mais de 9,7 milhões de viajantes até o momento. O acumulado de janeiro a outubro apresenta um crescimento de 11,5% em relação ao mesmo período de 2017. Como comparação, Azul, GOL e LATAM Brasil tiveram crescimentos de um dígito, segundo dados da ANAC.

Na participação de mercado, medida em número de passageiros transportados, a Avianca Brasil também vem crescendo este ano. A companhia aérea subiu de 11,7% para 12,6%, ao passo que os seus rivais caíram, como a LATAM Brasil (-2%) e Azul (-0,7%), ou se mantiveram no mesmo patamar, como a GOL.

Numa nota oficial distribuída nesta terça-feira e citada pelo ‘Panrotas’, a Avianca Brasil afirma que “fatores externos como a alta do dólar, o aumento histórico do preço do combustível de aviação e a greve dos caminhoneiros têm desafiado todo o setor em 2018”. Por isso, a companhia fala em “otimizar a gestão de seus recursos da melhor forma possível, o que inclui a adequação de frota à demanda de passageiros”.

Avianca vai negociar com a Airbus redução para metade da encomenda de aviões A320neo

Entretanto, uma outra notícia chegada de Bogotá, capital da Colômbia, anuncia que a Avianca Holdings apresta-se para renegociar com a Airbus uma encomenda de 100 aviões, que poderá ser reduzida para metade, ao mesmo tempo que está em negociações avançadas com a companhia alemã Lufthansa para melhorar a sua rede e oferta na Europa, através de novos acordos de code share.

O grupo Avianca assinou com a Airbus, em 2015, um contrato para aquisição de uma centena de aviões da família A320neo, dos quais nove aparelhos já estão na frota das empresas do grupo desde há vários meses, incluindo a Avianca Brasil.

Hernán Rincón, presidente executivo da Avianca, revelou esta semana que representantes da companhia se deslocarão nos próximos dias a Toulouse, sede da Airbus, para negociar e reduzir a encomenda de aeronaves, possivelmente para um número que pode variar entre as 50 e as 80, com entregas mais espaçadas no tempo. Um responsável pelo grupo aéreo de matriz colombiana, disse à agência ‘Reuters’ que a Avianca não tem dúvidas de que continuará a crescer, mas há um novo dado: esse crescimento será mais lento do que se pensava há três anos. Há, contudo, outras razões que poderão levar a Avianca a optar pela metade: o facto de não estar disposta a receber daqui a 10 ou 15 anos aviões cuja tecnologia pode estar ultrapassada. Há que ter em conta “a rápida evolução dos sistemas e dos equipamentos, nomeadamente em termos tecnológicos”, disse a mesma fonte à ‘Reuters’.

 

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