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Polícia investiga ‘cockpit’ montado em casa do comandante do voo MH370

Inspectores da polícia de investigação criminal da Malásia entraram ontem ao fim da tarde na casa de Zaharie Ahmad Shah, o comandante do voo MH370 da Malaysia Airlines que desapareceu na madrugada de sábado, dia 8 de Março, sem deixar rasto. Estão a analisar cuidadosamente todos os conteúdos inseridos nos seus computadores e sistemas informáticos.

A acção policial tutelada pelo Ministério Público seguiu-se imediatamente a declarações do primeiro-ministro malaio Najib Razak que afirmou que o desvio do avião era a pista mais consistente com que as autoridades da Malásia estavam a lidar nesse momento. Najib disse que alguém desligou os sistemas de comunicação da aeronave e depois a conduziu até dois pontos possíveis: Indonésia ou a fronteira entre Cazaquistão e Turcomenistão.

Como tem sido noticiado o comandante Zaharie, de 53 anos, é um homem apaixonado desde criança pela aviação, e mesmo depois de ser piloto de linha aérea, montou na sua casa um autêntico ‘cockpit’, ver nossa imagem, onde nas horas vagas continuava as suas viagens virtuais. Nada de incomum isso poderá transparecer, sobretudo para quem gosta da aviação e a ela se dedica apaixonadamente. Contudo, esta decisão judicial, se bem que em fase de investigação, pressupõe que as autoridades malaias lidam cada vez mais com a tese de um eventual suicídio, uma das hipóteses que, infelizmente, podem ser consideradas.

Nesta teia de hipóteses e de sugestões, vindas de diversos organismos com responsabilidades nas buscas do Boeing 777 das Linhas Aéreas da Malásia, que desapareceu com 239 ocupantes a bordo, ganhou força nos últimos dias a perspectiva de que o avião tenha sido desviado ou alvo de um atentado terrorista. A bordo seguiam cinco passageiros com irregularidades de identificação, nomeadamente dois com passaportes roubados, um terceiro com identificação falsa, um quarto que é suspeito de estar ligado a uma organização terrorista e ainda um quinto que não se sabe quem será já que a identificação que forneceu pertence a um cidadão chinês que estava descansado na sua casa no momento do voo.

Ontem à noite, depois das declarações do primeiro-ministro malaio, Najib Razak, em Kuala Lumpur, logo surgiu nas televisões um esclarecimento do presidente da comissão oficial que coordena as buscas, de que o desvio do avião não é a hipótese mais provável, pois todas as cinco principais estão a ser consideradas em pé de igualdade. Alguns observadores internacionais observaram logo que o esclarecimento de Azharuddin Abdul Rahman era um desmentido formal e violento à forma como o governo malaio está a lidar com a questão, um pouco à margem dos habituais cuidados com que os investigadores de desastres e incidentes aéreos trabalham.

Está instalada a confusão, nomeadamente depois de ontem pela manhã ter sido referido com muita insistência que as investigações feitas através de um apuramento dos dados fornecidos pelos radares militares da zona onde circulava a aeronave desaparecida, terem indicado que o Boeing 777 da Malaysia Airlines teria voado durante algum tempo com os ‘transponders’ desligados. E admitiam, com natural especulação porque nada prova que isso tenha acontecido, que o avião teria voado mais seis horas desde a hora em que foi referenciado num dos radares do sistema de controlo de tráfego aéreo. Os ‘transponders’ são sistemas electrónicos de controlo dos aparelhos em voo na rede de radares instalados em terra, que transmitem em permanência a identificação dos aviões e outros dados interessantes do voo, nomeadamente a situação geográfica, a altitude e a velocidade a que se movem. Contudo, podem ser desligados pela tripulação. Ao admitirem que o ‘transponder’ foi desligado logo se poderá especular ou trabalhar numa direcção que configurará uma atitude voluntária da tripulação, ou de quem a tenha forçado a tal, de fugir ao controlo normal. Ontem a BBC também confirmou que uma rede de satélites britânicos acompanhou o sinal do avião até mais cinco horas sobre o último controlo da zona de informação de voo da responsabilidade da Malásia.

 

Já fizemos hoje uma busca na imprensa internacional sobre o desaparecimento do avião da Malaysia Airlines. Há muita informação dispersa. Esperamos que este resumo ajude a entender a evolução da última semana de buscas e diligências que agora abrangem um área enorme, estendendo-se até ao Oceano Índico e às fronteiras das repúblicas independentes que antes estiveram integradas na ex-União Soviética.

O avião Boeing 777 desapareceu sem deixar rasto no passado sábado, dia 8 de Março, depois de ter partido, nessa madrugada, de Kuala Lumpur (capital da Malásia) rumo a Pequim (capital da China), transportando 239 pessoas, incluindo 12 tripulantes.

O perímetro das operações de busca ao avião foi de novo aumentado, agora para leste, até ao Mar da China, comunicou o governo da Malásia. A área onde se realizam as operações já tinha sido alargada até ao Oceano Índico. Segundo as autoridades malaias participam nas buscas 57 navios e 48 aviões de 13 países.

 

Links interessantes

Deixamos três links interessantes para os mais dedicados a estas questões. Um em português, editado pelo grupo Folha, do Brasil, que se refere a um incidente idêntico de um avião brasileiro, um Boeing 707 cargueiro, que desapareceu também sem deixar rasto, em 1979, entre Narita (Japão) e Los Angeles (EUA) em viagem para o Rio de Janeiro. Viajava sob o comando de Gilberto Araújo da Silva o mesmo piloto que comandava, anos antes, outro Boeing 707 da Varig que se despenhou próximo de Orly/Paris devido a um incêndio que deflagrou numa casa de banho, devido possivelmente a um cigarro mal apagado, e no qual morreram 109 ocupantes. A partir daí passou a ser proibido fumar nos lavabos em toda a rede aérea comercial, a nível global.

Colocamos ainda ao dispor dos nossos leitores, outros dois links, estes em língua inglesa, também de muito interesse, recomendados por outros nossos leitores, e cujo contributo registamos com apreço.

 

 

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