Proibição de voos noturnos em Lisboa poderá custar até 95 milhões de euros à TAP

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A TAP é “desfavorável a qualquer modificação” do horário dos voos noturnos no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Quem o disse foi o recém-nomeado presidente executivo da companhia aérea portuguesa, ao falar numa comissão parlamentar, em Lisboa, nesta quarta-feira, dia 16 de setembro.

Ramiro Sequeira, aliás, sempre tem defendido a continuidade dos voos noturnos em Lisboa, numa perspectiva de rentabilização do aeroporto e da companhia aérea. Uma opinião que tem manifestado e mantido desde o tempo em que é responsável global pela operação da TAP e, até há pouco tempo, braço direito do demitido CEO Antonoaldo Neves, que deixou esta semana a companhia.

A proibição da movimentação noturna no aeroporto da capital portuguesa poderá impactar negativamente nas contas da TAP, com uma quebra financeira de 47,6 a 95,2 milhões de euros, disse o novo responsável da TAP.

Ramiro Sequeira participou por videoconferência numa audição do Grupo de Trabalho sobre Voos Civis Noturnos, da comissão parlamentar de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, no âmbito dos projetos de lei dos partidos PAN e Bloco de Esquerda, que têm como objectivo principal interditar a realização de voos civis noturnos entre as zero e as seis horas da manhã, excepto para motivos de força maior.

Questionado sobre a flexibilidade da companhia aérea para alterações de horário, Ramiro Sequeira manifestou que a TAP é “desfavorável a qualquer modificação”, uma vez que isso pode ter impactos financeiros entre os 47,6 e os 95,2 milhões de euros, tendo como base todos os voos que a companhia deixaria de fazer no período noturno.

O CEO da TAP defendeu que existem outras formas de reduzir o ruído, nomeadamente o recurso a tecnologias mais avançadas e alterações aos protocolos de aproximação à pista e aterragem.

“A TAP cumpre todos os indicadores da indústria no que refere ao ruído e ao uso de mecanismos disponíveis para uma companhia aérea afrontar esta questão”, garantiu Ramiro Sequeira, sublinhando que a TAP é “sensível com todos os indivíduos que se vêem afectados por esta questão [ruído]”.

Quanto aos incumprimentos às restrições para voos noturnos, a TAP lembrou que 73% não são imputáveis à companhia, mas prendem-se, sim, com questões relacionadas à própria operação do aeroporto e a uma “bola de neve de atrasos” que se pode gerar ao longo do dia.

“Quando nós temos um aeroporto [Humberto Delgado, Lisboa] que está a operar na sua capacidade máxima […] significa que não há margem para imprevistos”, apontou, referindo-se a atrasos causados pelas condições meteorológicas, o tráfego dos outros países, ou exercícios militares na envolvência do aeroporto.

“Isso cria a bola de neve. Isto é algo que a TAP tenta contornar, mas a realidade é que nós operamos num aeroporto com uma pista e que tem os slots [vaga que permite marcar uma aterragem ou descolagem] vendidos”, acrescentou.

Desta forma, o responsável da transportadora manifestou-se também contra a possibilidade de mover os voos noturnos para o horário diurno.

“Mover todos os voos que estão autorizados no horário noturno para o diurno não é uma solução por si mesma, porque, num Verão normal, esses slots vão ocupar-se”, argumentou.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) manifestou o seu apoio à pretensão do PAN e BE de reduzir os voos noturnos e defende que ela se deve aplicar ao período entre as 23h00 e as 07h00, conforme afirmou numa audição em julho passado.

“A APA considera oportuna esta reflexão focada no objectivo de redução de voos noturnos, salientando que ela não se deve aplicar exclusivamente ao período entre as 00h00 e as 06h00, mas incluir o período entre as 23h00 e as 07h00”, disse o responsável.

No mesmo dia, o grupo de trabalho ouviu também Ana Nogueira, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, que fez um balanço de medidas relacionadas com o ruído aprovadas nos últimos anos, nomeadamente pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Devido a exposição ao ruído ambiental estimou-se serem perdidos anualmente nos países da Europa ocidental cerca de um milhão de anos de vida saudável”, disse.

 

  • Aviação da TAP no Aeroproto de Lisboa. Foto © AviaçãoTV

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