Tripulantes do A340-300 que aterrou em Bissau fugiram do País

A aterragem no Aeroporto de Bissau de um avião quadrimotor Airbus A340-300, com matrícula da Gâmbia, no passado dia 29 de outubro, está a transformar-se num tema de grande expressão nacional, e já internacional, pelo menos na região da África Ocidental, onde o caso está a ser seguido com inusitado interesse. Sobretudo num momento em que o relacionamento político entre os vários órgãos de soberania no País é bastante discordante.

O correspondente na Guiné- Bissau do serviço em Português da Rádio ‘Voz da Alemanha’ (DW – Deutsche Welle), divulgou nesta quarta-feira, dia 10 de novembro, que a Comissão Especializada para a Área de Defesa e Segurança do Parlamento guineense diz que o avião, retido em Bissau pela Autoridade de Aviação Civil, aterrou no país após um pedido expresso feito pelo gabinete do Presidente da República, Sissoco Embaló. Desconhece-se o dono do aparelho, porque chegou a Bissau e a intenção da escala. Nem as autoridades aeroportuárias conseguem juntar esses elementos dum puzzle que parece estar bem difícil de resolver.

O presidente da Comissão, José Carlos Macedo Monteiro, deputado do MADEM-G15, partido do Presidente Umar Sissoco Embaló (no poder), após uma visita realizada ao Aeroporto de Internacional Osvaldo Vieira, em Bissau, para se inteirar da situação “estranha” de um avião retido e abandonado, disse que a comissão parlamentar foi informada pelas autoridades aeroportuárias que só receberam documentos de pedido da aterragem do aparelho “minutos antes deste chegar a Bissau”.

Explicando aos deputados durante a sessão parlamentar desta terça-feira (dia 9) a situação que agita o país desde o último fim-de-semana, José Carlos Macedo Monteiro apontou o dedo ao Presidente da República, que, entretanto, prometeu esclarecer o caso ainda nesta quarta-feira, dia 10.

“O avião saiu da Gâmbia. Quem fez o pedido de aterragem foi o chefe de gabinete do Presidente da República, e como a Aviação Civil não tem competências para fazer vistorias no avião e ainda mais por ser um pedido expresso da presidência, teve que autorizar a aterragem”, disse o deputado na sessão plenária da Assembleia Nacional Popular.

Ainda segundo o despacho do correspondente da ‘Voz da Alemanha’, as informações apuradas pela comissão especializada do Parlamento, indicam que a aeronave A340-300 transportava apenas três tripulantes: dois pilotos e um técnico de manutenção, que se julga serem de nacionalidade turca.

“A Presidência fez o pedido alegando que o avião foi a Bissau para manutenção. Só que depois os três tripulantes foram levados para um lugar incerto”, prosseguiu o deputado.

“Agora temos a informação de que os três fugiram da Guiné-Bissau. É realmente uma situação muito complicada. A Presidência fez o pedido para que o avião ficasse em Bissau de 29 de outubro a 3 de novembro. Estou a passar esta informação porque todo o mundo tem que saber a verdade, afinal estamos a falar de autoridades que dizem estão a lutar contra a corrupção, tráfico de droga e tráfico de armas.”

O deputado José Carlos Macedo Monteiro pediu a “imediata intervenção do Parlamento” devido a alegada pressão e ameaça de que o presidente do Conselho de Administração da Autoridade Nacional de Aviação Civil, Caramo Camará, está a ser alvo.

 

Constituída uma comissão interministerial para investigar o caso

Reunido em sessão extraordinária de Conselho de Ministros, o Governo guineense criou uma comissão interministerial para esclarecer as circunstâncias da aterragem da aeronave. A comissão será composta pelos ministros do Interior, Defesa e Transportes e pelo gabinete do primeiro-ministro guineense, Nuno Gomes Nabiam, e deve apresentar um relatório até à próxima sexta-feira, dia 12 de novembro.

O avião, ainda com as cores base da Kuwait Airways, sem o nome da empresa ou o logotipo, está estacionado, desde a sua chegada, na zona militar do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira. A Autoridade de Aviação Civil, seguindo ordens do Governo, interditou a descolagem do avião, sem indicar os motivos, desde o dia 4 de novembro.

Ainda segundo a imprensa guineense, os tripulantes deixaram Bissau três dias depois, ficando o aparelho fechado na pista.

 

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  • Na imagem de abertura vemos o avião que está retido na Guiné-Bissau quando ainda estava ao serviço da Kuwait Airways, companhia de onde saiu há dois anos.

 

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