Bombardier atenta às necessidades do Irão e já com um pé na Rússia e outro na China

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A fábrica Bombardier anunciou ontem que está atenta ao mercado iraniano, onde existe uma potencial hipótese de negócio, face a uma quase certa revogação das sanções ocidentais ao país, após o abandono do plano nacional de desenvolvimento nuclear, que levaria à produção de armamento sofisticado.

Pierre Beaudoin, presidente executivo do conglomerado industrial canadiano do sector dos transportes, com duas divisões potencialmente envolvidas em mega negócios em todo o mundo, a Bombardier Aerospace e a Bombardier Trains, disse que neste momento o mercado iraniano está em avaliação. Estima-se que o Irão necessite de cerca de 400 aviões de passageiros novos nos próximos 10 anos para substituição de uma frota comercial envelhecida, com cerca de metade dos aparelhos inoperacionais, devido às sanções impostas pelos países ocidentais e outros aliados da NATO.

A Bombardier Aerospace está disposta a disputar uma fatia desse mercado, precisamente nos segmentos onde tem produtos que possam se diferenciar dos concorrentes internacionais: as aeronaves de passageiros para rotas menos densas, nomeadamente os turbo-propulsores Q200 e Q400 e nos jactos CSeries, uma opção mais económica entre os modelos de cerca de 100 assentos. Há toda a gama de jactos executivos que, porventura encontrará interessados no Irão, ao nível das instituições estatais e empresas de maior dimensão.

Na conferência de imprensa que decorreu em Montreal, foram também abordadas as negociações que a Bombardier Aerospace está a ultimar na China com um parceiro local para abertura de uma linha de montagem para aviões.

Iguais negociações estão mais adiantadas na Rússia, se bem que o conflito que recentemente eclodiu com a Ucrânia, recomende que haja alguma precaução, tendo em vista até o lançamento de sanções internacionais, às quais o Canadá terá que aderir. Foi estabelecida uma ‘joint venture’ com a ‘Rostec’, uma empresa estatal, que prevê a produção de 100 aeronaves turbo-propulsoras, no valor de cerca de 3,4 mil milhões de dólares norte-americanos, e que se destinam ao mercado interno russo. A fábrica russa será um complemento da linha de montagem de Toronto, onde são montadas as aeronaves até 80 lugares de lotação, caso da gama Q400 dedicada ao transporte regional.

O presidente da Bombardier Aerospace, Guy Hachey, considera que esse mesmo conceito pode ser aplicado na China, onde há um mercado interessantíssimo para as aeronaves Q400, salientou. As negociações estão em curso, confirmou, sem dar mais pormenores.

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