Grupos aéreos latino-americanos vivem crise muito grave

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Os três maiores grupos de companhias aéreas comerciais da América Latina, que são também os mais importantes em termos de negócio e de transporte de passageiros e de mercadorias, passam por uma das suas maiores crises. Os resultados obtidos nos últimos meses confirmam esse recuo no seu crescimento e apontam para uma queda em diversos indicadores económico-financeiros.

O jornalista Álvaro Alcocer publicou no final do mês passado no jornal digital ‘Reportur’ um trabalho de análise na seção ‘Fim de Semana’, em que aborda com interessante acuidade a situação, confrontando dados e resultados que mostram, na realidade, que o presente está muito difícil para diversas companhias aéreas latino-americanas, incluindo as brasileiras, e que as perspetivas, por enquanto, não são muito animadoras.

Refere o analista do portal especializado em notícias de turismo para profissionais em língua castelhana que os gigantes aéreos latinos, desde a Avianca à Latam Airlines e passando pela Copa Airlines, estão a viver a sua pior crise dos últimos anos, devido sobretudo à subida do dólar e à situação de recessão económica que se vive drasticamente na Venezuela, onde as companhias perderam mercado, e pior que isso, não conseguem transferir para os seus países as receitas de milhões de dólares auferidas no país nos últimos dois anos, e que continuam retidas por dificuldades cambiais.

Através da apresentação dos resultados operacionais do segundo trimestre desses grupos aéreos ficou-se a saber que as perdas são muito maiores do que era esperado, o que arrasta inevitavelmente para consequentes prejuízos, também, nas Bolsas de Valores, onde essas empresas estão cotadas.

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A Copa Airlines, do Panamá, tem para receber em Venezuela cerca de 470 milhões de dólares, total das receitas de bilhetes vendidos no país nos últimos dois anos.

A Copa Airlines, do Panamá, foi a primeira a informar uma queda de cerca de 20 por cento nas suas vendas no segundo trimestre deste ano, em que somou 538,4 milhões de dólares, e uma queda de 44% nos seus lucros, reduzidos para 64,1 milhões de dólares. A queda da cotação das ações da Copa na Bolsa de Nova Iorque atingiu apenas num dia, após o conhecimento dos resultados, 13,28%, o que mostra a influência que os fracos resultados operacionais tiveram no papel bolsista da empresa.

Por arrastamento e nesse mesmo dia as ações da Latam Airlines e da Avianca, nas praças de Santiago do Chile e em Bogotá (Colômbia), sofreram quedas de 3,35% e de 5,47% respetivamente.

No dia 13 de Agosto foi a vez da Latam Airlines apresentar as suas contas com um inesperado prejuízo de 49,7 milhões de dólares no segundo trimestre do ano, com as vendas a baixarem 22%, a sétima queda trimestral consecutiva, justificada novamente pela debilidade do mercado das viagens no Brasil, através da sua associada TAM Linhas Aéreas.

A Latam Airlines, que é hoje a maior companhia aérea da América Latina, acumula um prejuízo de 90 milhões de dólares em apenas seis meses deste ano. Contudo, melhor do que no ano passado, em igual período, que foi de 100,2 milhões de euros. Uma informação do Deustche Bank aos seus clientes investidores indica que a cifra melhorou, mas há que ter em conta que a Latam beneficiou de uma valorização cambial de cerca de 35 milhões de dólares no período em apreço, entre Janeiro e Junho de 2015.

Estes resultados do grupo chileno-brasileiro baixam as projeções dos seus gestores que, esperam, contudo, terminar o ano com resultados positivos.

No grupo colombiano Avianca, com duas companhias principais na Colômbia e no Brasil, além de algumas associações a outras pequenas companhias latino-americanas, a situação é semelhante, como informa o ‘Reportur’, devido à depreciação das moedas dos diversos países onde atuam as suas companhias e ao fortalecimento da moeda norte-americana.

 

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O Grupo Avianca tem uma das maiores dívidas entre os três principais grupos aéreos da América Latina. A companhia liderada por José Efromovich, na imagem, tem também uma importância muito elevada para receber da Venezuela, estimada em cerca de 300 milhões de dólares.



A Avianca encerrou o primeiro semestre de 2015 com um prejuízo de 2,9 milhões de dólares contra um lucro operacional de 45,8 milhões de dólares em igual período de 2014. Verificou-se uma queda de vendas de bilhetes aéreos e uma quebra na receita qualitativa das vendas. A liquidez da companhia está também afetada, referiu recentemente a ‘Fitch Ratings’, pois o Grupo Avianca enfrenta uma dívida de 759 milhões de dólares. Tem em Venezuela cerca de 300 milhões de dólares retidos e não fora a venda de 30% do seu programa de milhas ‘Lifemiles’ por 340 milhões de dólares, a situação estaria muito pior.

O grupo dos irmãos Efromovich está em segundo lugar no ‘ranking’ das dívidas da Venezuela às companhias aéreas. A Copa Airlines está em primeiro com cerca de 470 milhões de dólares. Portanto, temos aqui, a queda do preço do barril de petróleo na produção a penalizar bastante o negócio do transporte aéreo na América Latina.

As duas questões mais importantes que concorrem para a situação de crise em que vivem as companhias aéreas da América Latina, que são a queda do preço do petróleo e a valorização da moeda norte-americana, devem ser bem entendidas para que não se cheguem a conclusões precipitadas e incorretas.

A queda do preço do petróleo foi má para os países que têm as suas economias muito dependentes da produção petrolífera, casos da Venezuela, que é o país mais afetado, e do Brasil, México e Bolívia, mas estes em menor dimensão. Contudo essa queda foi boa para as companhias aéreas, porque baixou a fatura dos combustíveis. O problema maior é que o negócio do transporte aéreo está extremamente dolarizado, pelo que a valorização do dólar acaba por levar os ganhos no combustível, ao que se junta a falta de passageiros dada a recessão latente na maioria dos países latino-americanos.

Uma informação do presidente executivo da LAN Colombia, Hernán Pasman, admite que o preço do petróleo baixou 30% mas que a taxa cambial mostra uma desvalorização das moedas latino-americanas em cerca de 36%. Pasman diz que “na verdade estamos todos preocupados”. E não é caso para menos…

 

As cautelas que esta situação está a requerer da parte das companhias aéreas e, sobretudo, de quem tem a responsabilidade de as gerir, conduzem a cortes de investimento e a vendas de alguns ativos como já aconteceu, nomeadamente com a Avianca e a Latam. Esta última companhia, por seu lado, está a reprogramar a receção dos novos aviões de longo curso e poderá haver novidades menos agradáveis até final do ano para aqueles que estavam empenhados no crescimento do grupo aéreo.

Quem se está a aproveitar da situação, revela o analista Álvaro Alcocer, são as companhias espanhola Iberia e a norte-americana Southwest Airlines, que, da Europa e da América do Norte, respetivamente, reprogramaram em alta a sua rede, dando mais atenção e alargando a rede de destinos e frequências na América Latina.

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