Sindicato denuncia prepotência da Groundforce/SPdH no Aeroporto de Lisboa

O Sindicato dos Trabalhadores dos Aeroportos Manutenção e Aviação (STAMA) distribuiu nesta sexta-feira, dia 11 de julho, um comunicado em que alerta os seus associados e trabalhadores do setor para serem firmes perante as ameaças das Chefias de Área da Groundforce/SPdH, pelo facto de estarem a cumprir uma greve que foi decretada pelo sindicato.

João Varzielas, presidente do STAMA, disse ao ‘Newsavia’ que diversos trabalhadores da maior empresa de handling portuguesa estão a ser chamados para responderem a questionários que procuram saber os motivos pelos quais aderiram às paralisações que foram decretadas no pré-aviso entregue às entidades competentes pelo sindicato em 17 de junho passado e que conformam a greve que está em vigor desde o dia 3 de julho, inclusive, até 31 de dezembro deste ano.

O líder sindical diz que se trata da contestação face a várias reivindicações que foram apresentadas, desde há muito tempo, pelos trabalhadores e que não têm encontrado solução, nem na entidade patronal, nem junto das autoridades que tutelam os aeroportos.

Uma delas, aponta João Varzielas, é a questão dos estacionamentos na zona do Aeroporto de Lisboa. Num universo de cerca de meio milhar de trabalhadores, que levam para casa no final do mês entre 450 e 700 euros, se trabalharem a tempo parcial ou a tempo inteiro, respectivamente, não há no aeroporto um parque de estacionamento onde possam estacionar os seus carros particulares, sendo obrigados a deixá-los, muitas vezes, em zonas de estacionamento proibido, nas áreas residenciais dos Olivais e da Encarnação, próximo do aeroporto, mas mesmo assim a cerca de 30 minutos a pé. Um problema que poderia estar resolvido “se o Governo quando concessionou os aeroportos à Vinci Airports tivesse acautelado os interesses de quem trabalha na infra-estrutura”, considera João Varzielas.

Outra questão premente é o facto do Aeroporto de Lisboa estar a obrigar os motoristas dos autocarros das empresas de handling, que têm por missão dirigir os veículos que recolhem os passageiros nos aviões e os levam até às portas que dão acesso aos terminais, a abrir as portas do edifício, para o que dispõem de um cartão e respectivo código. Com o volume de trabalho, e, muitas vezes, com o excesso de horas de serviço – já que muitos trabalham nove dias seguidos antes de uma folga ou fazem mais horas diárias do que está regulamentado – têm-se verificado enganos e alguns passageiros oriundos de países terceiros têm sido deixados na porta dos passageiros oriundos de países da União Europeia que não necessitam de controlo policial.

A perplexidade destas situações, resultantes de uma inadvertida “negligência” provocada pelo excesso de trabalho e, nomeadamente, por um trabalhador a quem não está atribuída a função de controlo de fronteiras, tem provocado a abertura de processos disciplinares e sanções aos trabalhadores, que, segundo o presidente do STAMA, são ilegais, já que essas funções não estão atribuídas aos motoristas dos autocarros, que as desempenham sob pressão da entidade patronal com o conhecimento dos responsáveis aeroportuários.

Por tudo isso está em curso uma greve que consiste numa paralisação de 90 minutos antes da entrada ao serviço e 90 minutos antes do horário de saída. A greve contempla ainda uma recusa de todos ao trabalho suplementar.

 

  • Foto © André Garcez

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