South African Airways desmente eventual fusão com a Kenya Airways

Os gestores e trabalhadores da companhia aérea South African Airways (SAA), da República da África do Sul, recusaram a ideia de uma fusão total com a congénere Kenya Airways, companhia aérea de bandeira do Quénia, país da África Oriental, considerada uma das mais desenvolvidas do continente, eleita pela ‘Skytrax’ como a melhor companhia de África em 2021.

A ideia de fusão entre as duas companhias foi sugerida pelo presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, que na sua mensagem de Ano Novo, disse que as duas companhias aéreas africanas estavam prontas a unir forças a fim de superar as dificuldades económicas que ambas enfrentam.

“Para impulsionar o turismo, o comércio e o envolvimento social e para reforçar a integração continental, a nossa transportadora nacional Kenya Airways juntar-se-á aos nossos parceiros na África do Sul para estabelecer uma companhia aérea pan-africana”, disse Kenyatta.

Face às declarações do mandatário queniano, Vimla Maistry, porta-voz da SAA, esclareceu esta semana que não havia qualquer movimento deste tipo. Contudo, avançou, que os projetos de cooperação que estão a ser negociados entre as duas companhias, e que tinham sido anunciados em setembro passado, estavam a seguir bem.

“O plano é alavancar ambas as redes em benefício dos clientes – partilha de códigos (code share) extensiva, por exemplo – e potenciar a eficiência operacional entre as duas companhias, mas as marcas funcionarão de forma independente”, explicou Maistry.

Em setembro de 2021, SAA e Kenya Airways assinaram um memorando de cooperação com vista à criação de “um grupo pan-africano de companhias aéreas”.

Na altura, o CEO da SAA, Thomas Kgokolo, afirmou: “Para além de ser uma transportadora local forte, parte da nossa estratégia mais ampla de crescimento é tornarmo-nos um ator importante nas viagens regionais e este memorando conjunto com a Kenya Airways, uma das mais fortes e respeitadas transportadoras aéreas do continente, fará exatamente isso”.

De acordo com uma declaração das duas companhias aéreas na altura, tal grupo de companhias aéreas poderia, a seu tempo, “aumentar o potencial de crescimento mútuo, tirando partido dos pontos fortes dos aeroportos centrais das duas companhias aéreas”.

O acordo não impede, contudo, nenhuma das companhias de prosseguir a cooperação comercial com outras transportadoras.

A SAA e a Kenya Airways terão assinado um quadro de parceria estratégica durante uma visita de Kenyatta à África do Sul em setembro do ano passado.

Kgokolo disse que qualquer colaboração seria concebida para ajudar ambas as companhias aéreas no ambiente de negócios e viagens pós-covid-19. Isto, disse o responsável da SAA, poderia envolver estratégias conjuntas de recuperação e outras estratégias de contenção de custos que ajudarão a recuperação de ambas as transportadoras num ambiente aéreo africano cada vez mais competitivo.

Qualquer acordo, independentemente da forma que assuma, é provável que entre em vigor em 2023, refere a imprensa de ambos os países que deram grande destaque a esta notícia, numa ocasião em que SAA, que passou por uma situação económica-financeira bastante difícil, desde antes da crise provocada pela pandemia de covid-19. A SAA foi refundada, depois de um período de inatividade e detém agora uma frota e um quadro de trabalhadores muito menores, seguindo uma gestão bastante controlada em termos de custos e de expansão para evitar os erros dos últimos anos.

A SAA, fundada em 1934 encerrou em setembro de 2020, após 86 anos de serviço ininterrupto, em que chegou a ser a mais importante companhia aérea de África e uma das mais destacadas a nível internacional no último quartel do século passado, tendo criado uma rede global na África Austral com algumas subsidiárias, para voos regionais e domésticos, além da Mango dedicada ao baixo custo. Em 23 de setembro de 2021, a SAA voltou a voar, depois de um acordo assinado entre o Governo da República da África do Sul (que antes controlava totalmente o capital da companhia), com um grupo privado, o Consórcio Takatso, que agora controla 51% do capital da empresa aérea de bandeira sul-africana. Recomeçou com uma frota de oito aviões com uma programação de voos para algumas cidades africanas, numa tentativa de reerguer-se e reconquistar a áurea dos velhos tempos.

A SAA não voa para outros continentes. Os aeroportos sul-africanos são agora destinos muito apetecíveis para as grandes companhias internacionais – europeias e asiáticas, as mega-companhias do Médio Oriente, além das norte-americanas – que desde o levantamento das restrições sanitárias, programaram centenas de voos semanais para Joanesburgo, Cidade do Cabo e Durban, os aeroportos que recebem mais voos internacionais.

 

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