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TAP instala ‘sharklets’ em 12 aviões da família A320

“A TAP Portugal vai ser a primeira companhia aérea da Europa a modificar aviões da sua frota de médio curso com sharklets” e as oficinas da companhia, em Lisboa, vão ser “o segundo centro de manutenção europeu a modificar uma aeronave em serviço, e o segundo a nível mundial por apenas diferença de algumas semanas”, anuncia a companhia em comunicado distribuído na quinta-feira, dia 3 de dezembro, em Lisboa.

A TAP realiza com este programa um investimento de 11 milhões de euros, com um retorno, aos preços atuais de combustível, em cerca de 2,5 anos. O programa de modificação das 12 aeronaves (dois A319 e 10 A320) tem início no próximo dia 7 de Dezembro e terá a sua conclusão no final de 2017.

A introdução dos dispositivos sharklets na ponta das asas permite ganhos na aerodinâmica do avião que permitem reduzir o consumo de combustível em cerca de quatro por cento e a extensão da vida operacional do avião em 36 mil horas de voo.

Esta modificação representa um grande desafio devido ao seu grau de complexidade, envolvendo a substituição de cerca de 10 mil elementos de ligação por avião, a remoção de 20 por cento da estrutura metálica da asa e sua substituição por novos componentes com maior resistência estrutural.

Adicionalmente, a asa sofre no intradorso um reforço estrutural em cerca de 60 por cento da sua extensão, de forma a permitir a introdução da sharklet, com a consequente alteração na distribuição de esforços ao longo da envergadura da asa. Ao nível de sistemas aviónicos, é necessária uma atualização de diversos componentes de forma a contemplar a nova configuração da asa a nível aerodinâmico.

Para realizar esta modificação, serão necessários cerca de 20 dias de imobilização da aeronave e 3600 horas-homem de trabalho de diferentes especializações, com especial enfoque em estruturas, mas também em aviónicos e sistemas de avião.

De forma a levar a cabo a introdução das sharklets, foi necessária a aquisição de ferramentas e equipamentos desenvolvidos pela Airbus especificamente para esta modificação, tal como a ferramenta de alinhamento geométrico da asa que garante a correta instalação dos novos componentes estruturais.

Por outro lado, a TAP realizou igualmente um investimento em ferramentas tecnologicamente mais sofisticadas, tais como equipamentos de remoção de elementos de ligação através de descarga elétrica (e-drill) que permitem realizar o trabalho de modo mais rápido e com maior qualidade.

 

A tecnologia sharklet

A necessidade de ganhos de eficiência e redução de emissões levou ao anúncio a 15 de Novembro de 2009 da decisão do fabricante de promover o ganho de eficiência das aeronaves  da família A320 com a introdução de alterações à asa da aeronave através da instalação de sharklets, na sequência de estudos iniciados em 2006 e após campanha de teste e validação de três tipos de soluções.

A solução escolhida introduz uma ponta de asa com 2,4 m de altura, permitindo uma redução de emissões anuais de 900 t de CO2 ligada a um decréscimo de até 4% do consumo de combustível e, ou uma extensão do alcance operacional da aeronave em 100 milhas náuticas, ou o aumento da capacidade de massa transportada de 450 kg, garantindo a extensão do limite de vida das aeronaves em mais 36 000 horas de voo, o que na operação da TAP Portugal se traduz em mais  de 7,9 anos de operação. A conceção da solução sharklet implicou a contribuição de mais de 200 especialistas oriundos de 5 países e utiliza a mais recente tecnologia de fabrico por deposição de camadas (Additive Layer Manufacturing).

A primeira descolagem do programa de certificação aconteceu em Novembro de 2011, tendo a entrada em serviço da primeira aeronave com esta melhoria acontecido em Dezembro de 2012 com a entrega de fábrica duma aeronave A320 ao operador AirAsia, progredindo o programa até à entrega em Julho de 2013 à American Airlines, da 100ª aeronave desta família fabricada com estes dispositivos.

Noventa por cento das aeronaves da família A320 fabricadas em 2014 e 97% das fabricadas em 2015 foram produzidas com esta melhoria opcional e a mesma solução será parte integrante da especificação padrão da evolução ‘New Engine Option’ (A320neo), planeada para entrar em serviço no final de 2015.

A 29 de outubro de 2013 foi anunciada a disponibilização de um programa de modificação de aeronaves em serviço com disponibilidade em 2015, elegível para mais de 4000 aeronaves em serviço, cuja certificação foi concedida pela EASA a 15 de outubro de 2015 e pelo FAA apenas 7 dias depois a 21 de outubro. Estão já confirmadas encomendas de mais de 330 kits de modificação de aeronaves em serviço e quando a industrialização da manufatura de kits de modificação atingir o expoente máxime permitirá a entrega de 200 kits por ano.

 

‘Sharklets’ surgiram em 2009 sete anos depois dos ‘winglets’ da Boeing

Na imagem de entrada vemos um Airbus A320 equipado com ‘sharklets’ fotografado no ILA – Salão Internacional de Aviação de Berlim, em 2012. Esta modificação foi lançada em 2009, como refere o texto anterior, e foi uma resposta da construtora europeia aos ‘winglets’ apresentados pela Boeing, primeiro nos seus modelos de B737 de Nova Geração, em 2002. Depois instalado em alguns dos considerados modelos clássicos do Boeing 737, nas versões 200 e 300, para citar as mais antigas.

Recorde-se que a companhia portuguesa EuroAtlantic Airways foi a primeira que teve um Boeing 737-300 com winglets com registo português (CS-TMZ). A Aviation Partners Boeing, empresa subsidiária da Boeing, que registou a invenção, atribuída a um engenheiro que trabalhava na construtora norte-americana, montou o dispositivo no avião de registo português para testar o invento, o que ocorreu durante toda a operação de Verão de 2003 da companhia de voos não-regulares de Tomaz Metello e Dionísio Pestana.

Curiosamente este avião, que em 2017, celebra 30 anos de serviço e que ainda está ativo na frota de uma companhia mexicana de voos charters, a Magnicharters, teve anteriormente dois registos portugueses. Primeiro com a extinta Air Columbus (CS-TKD) em 1992 e depois com ao serviço da TAP (CS-TIN) entre 1995 e 2000. Teve ainda um registo brasileiro (PT-TEX) na extinta Transbrasil, entre 2000 e 2002, antes de voltar a Portugal.

 

  • Este texto foi atualizado em relação ao primeiro aqui colocado, após receção de um comunicado de imprensa da TAP, cujas partes principais reproduzimos e que esclarece melhor os trabalhos que serão feitos nos 12 aviões de médio curso da companhia aérea portuguesa. (18h30 UTC).
  • Indicamos ainda um vídeo da Airbus (LINK) que mostra a história de todo este processo de criação e instalação dos sharklets nos aviões da maior construtora aérea europeia.

 

 

2 Comments

  1. A Lufthansa e a Easyjet não são Europeias? Já têm Winglets(sharklets) em alguns dos seus A320 há meses.

    • Catanho Fernandes

      Sim, mas são aviões recebidos de fábrica já com os Sharklets. No caso da TAP será a própria companhia que irá fazer a modificação nas suas oficinas de M&E a aviões que estão ao serviço há já alguns anos.

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