Os autarcas de Leiria, Coimbra e Figueira da Foz, no centro de Portugal, defendem a “utilização dupla da pista” da Base Aérea n.º 5, em Monte Real, uma solução que permitiria abrir a infraestrutura à aviação civil, mantendo a operação militar.
Esta solução não visa tornar Monte Real num aeroporto complementar a Lisboa, refere um despacho da agência noticiosa portuguesa ‘Lusa’, que destaca declarações de Raul Castro, presidente da Câmara Municipal de Leiria, que afirma que o que pretendem é “afastar em definitivo qualquer comparação com o Montijo ou qualquer solução de serem complementares a Lisboa ou ser alternativa a alguma coisa”.
Segundo Raul Castro, o modelo defendido é “idêntico ao da Base das Lajes”, nos Açores, revelando que está já a ser elaborado um estudo que deverá estar concluído dentro de um mês e que visa avaliar a viabilidade desta solução.
“Temos estado em contactos com operadores e tido reuniões com membros do Governo e o que nos foi dito é que estariam disponíveis para apoiar desde que se arranjasse um investidor”, revelou o presidente do Município de Leiria.
Raul Castro revelou ainda que a companhia francesa Aigle Azur “está disponível para realizar três voos semanais caso a abertura à aviação civil se concretize” e que há um “investidor sul-africano” que “mostrou interesse” em investir nas infraestruturas.
“Queríamos que houvesse unanimidade possível para apostar num aeroporto regional e internacional, mantendo a operar a Força Aérea, passando a haver a operação dupla na base militar. A partir daí iremos para a busca de investidores para que possa ser uma realidade”, salientou Raul Castro.
Já João Ataíde das Neves, autarca da Figueira da Foz, garante a “sustentabilidade” do projeto, afirmando que “os operadores percebem que a região tem dinâmica e que poderão sustentar esta linha de transporte”, para a qual são necessários cerca de 250 mil passageiros por ano para que o projeto seja viável.
Para poder receber voos civis, a Base Aérea de Monte Real vai ser sujeita a algumas adaptações, como a construção de um terminal e ao nível da pista, cujo piso precisará da “coesão necessária para aguentar o embate dos aviões nas aterragens”, segundo Raul Castro, estimando em 20 milhões de euros o investimento necessário.