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Air France retomou os voos na linha Paris/Orly-Teerão

A Air France retomou neste domingo, dia 17 de abril, a linha regular de transporte de passageiros, carga e correio Paris/Orly-Teerão. Esta carreira foi iniciada há 70 anos e tinha sido interrompida em 2008, na sequência da adopção do embargo decretado pelos países ocidentais contra o regime iraniano, devido ao dossiê nuclear.

O primeiro voo partiu neste domingo da capital francesa, pelas 12h20 locais, e aterrou em Teerão cerca de 05h10 depois. A bordo seguiram algumas entidades convidadas pela companhia aérea francesa, nomeadamente o ministro dos Transportes da França, Alain Vidalies, o Embaixador do Irão em Paris, o presidente executivo da Air France, Frédéric Gagey, e uma missão empresarial francesa constituída por 15 homens de negócios.

O reinício dos voos para a República Islâmica foi precedido de alguma polémica, pois a companhia francesa distribuiu uma comunicação interna, em que obriga o pessoal de voo feminino (comissárias de bordo ou pilotos) a usar uma cobertura na cabeça, sempre que estiverem em terra, na República Islâmica do Irão. A questão provocou mal-estar entre as tripulantes, com intervenção dos sindicatos que consideraram a atitude uma cedência a critérios de limitação da liberdade individual de cada uma das trabalhadoras abrangidas pela ordem da companhia.

No passado dia 4 de abril, a Air France distribuiu um comunicado de imprensa, em que anunciou a retoma dos voos de Paris para Teerão, com três ligações semanais, em aviões Airbus A330 (tripulação de dois pilotos e 10 comissários) ou A340 (dois pilotos e 12 comissários), e comunica que as tripulantes podem optar livremente por recusar a sua integração nesses voos, devendo para o efeito manifestar essa sua intenção à companhia, a fim de não serem escaladas para os voos para o Irão.

A companhia não cedeu às pressões sindicais. Alegou que sempre foi tradição e norma da Air France respeitar os hábitos e costumes dos países para onde voa, atuando com grande tolerância também no campo religioso, o que, é seguido também pelas outras companhias internacionais que voam para outros países, nomeadamente para o Irão.

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Antes da partida do primeiro voo desta nova fase de ligações aéreas regulares entre a França e o Irão, teve lugar junto da porta de embarque do voo AF738, em Orly, uma breve cerimónia que assinalou a reabertura oficial da linha, na qual discursou Frédéric Gagey, que afirmou a intenção da Air France continuar a contribuir para uma maior aproximação entre franceses e iranianos, nos diversos campos em que essa cooperação vier a ser retomada e ofereceu os serviços da companhia que começa com três voos semanais, mas que poderá, se houver procura, aumentar o número de frequências.

A Air France é a primeira companhia ocidental a retomar os voos regulares para o Irão, depois de terminadas as negociações sobre o tratado de armas nucleares entre os países ocidentais e o país islâmico, e depois de uma bem sucedida viagem do Presidente Hassan Rohani à Europa, em janeiro passado, na qual foram assinados contratos de compra de dezenas de aviões comerciais novos para a Iran Air, companhia de bandeira da República Islâmica do Irão, em Itália (ATR) e em França (Airbus).

Em 2014, a Austrian Airlines tinha retomado as ligações de Viena para Teerão, ainda as negociações sobre o acordo nuclear estavam a decorrer, sem fim à vista. Entretanto, a British Airways anunciou na capital britânica que irá restabelecer a rota entre Londres/Heathrow e Teerão, com seis voos semanais, no próximo dia 14 de julho. Outras companhias ocidentais deverão voltar ao Irão nos próximos meses. A alemã Lufthansa e a italiana Alitalia nunca deixaram de voar para Teerão, não tendo alinhado no embargo das companhias ocidentais ao ‘regime dos aiatolás’.

A aviação comercial é dos sectores da atividade económica do Irão que mais sentiu os efeitos do embargo internacional ao País. A maioria dos aviões das suas companhias estão ao serviço há mais de 25 anos e o país detém um dos maiores graus de sinistralidade aérea mundial. Estima-se que, numa primeira fase, o Irão necessite de cerca de 500 aviões comerciais para o médio e o longo curso. Cerca de 150 já estão adquiridos. Decorrem atualmente negociações com a Boeing que poderão resultar numa nova encomenda de aeronaves a anunciar nas próximas semanas.

 

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