ASA esclarece sobre os voos cancelados devido ao fenómeno ‘bruma seca’ em Cabo Verde

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A Empresa Nacional de Aeroportos e Segurança (ASA) de Cabo Verde, através de uma nota de imprensa, esclareceu nesta sexta-feira, dia 26 de janeiro, que devido ao mau tempo provocado pelo fenómeno bruma seca as ligações aéreas entre ilhas estão canceladas.

“Nos últimos dias, como é habitual nessa época do ano, temos registado a presença de bruma seca no País, o que impacta significativamente as condições atmosféricas, designadamente a visibilidade, com registos de visibilidade de 700 metros e, consequentemente, afeta a normalidade das operações aéreas nos aeroportos nacionais, originando divergências e até mesmo cancelamentos de voos”, lê-se na nota de imprensa.

De acordo com informações avançadas pelo serviço de informações da ASA esta situação tem gerado comentários e opiniões diversas sobre eventuais soluções que possam evitar essas disrupções nas ligações aéreas em Cabo Verde, pelo que esclarecem que o País conta com quatro aeroportos internacionais e três aeródromos domésticos.

Ainda segundo a ASA, os três aeródromos domésticos, pelos seus condicionalismos infra-estruturais, operam somente em condições meteorológicas visuais, pelo que, apenas podem receber voos quando a visibilidade estiver a cinco mil metros ou acima.

No que se refere aos aeroportos internacionais, indica que estes já estão preparados para operarem em condições meteorológicas em que não haja a referência visual, pois dispõem de determinados equipamentos de apoio à navegação, que garantem a segurança necessária aos voos.

Sublinha também, que fortes investimentos têm sido feitos, em equipamentos/sistemas e procedimentos de voos para melhorar a qualidade dos serviços prestados e aprimorar a eficiência e a segurança das operações aéreas nos referidos aeroportos.

Informam que os equipamentos diferem de aeroporto para aeroporto, sendo que no caso do Aeroporto do Sal, está implementado um Sistema ILS (Instrument Landing System) que é, efetivamente, um dos sistemas que garante melhor precisão à operação e segurança das aeronaves.

Este sistema instalado no Aeroporto do Sal permite que mesmo em situações de visibilidade muito baixa (até ao mínimo de 550 metros) os aviões consigam aterrar neste aeroporto.

No Aeroporto da Praia, realça a nota, está instalado outros tipos de equipamentos de apoio à navegação (VOR/DME VHF Omnidirectional Range/Distance Measuring Equipment), sem a precisão do ILS, mas que também permite operações em situações de ausência de referência visual.

“Recentemente, foram implementados neste aeroporto procedimentos de voo com base em satélite (procedimentos GNSS), que permitem operações em condições de visibilidade ainda mais baixas do que as permitidas por VOR/DME Efetivamente com os procedimentos GNSS, pode-se operar no Aeroporto da Praia em situações de visibilidade de 1.100 metros (situação que, pelo histórico, ocorre muito raramente)”, realça.

No Aeroporto da Boavista, destaca a ASA, além de outros equipamentos existentes desde sempre nesse aeroporto, foram também implementados desde 2017 procedimentos de voo com base em satélite (procedimentos GNSS).

Esses procedimentos GNSS, explica a ASA, tiveram um impacto bastante positivo na operacionalidade desse aeroporto, sendo que desde a sua implementação que os desvios ou cancelamentos devido à bruma seca tem sido quase zero.

Já no Aeroporto de São Vicente, esclarece que também foram implementados procedimentos GNSS desde 2017, mas que esses procedimentos não tiveram o mesmo impacto que no Aeroporto da Boavista, devido à diferença da orografia (montanhas) à volta dos dois aeroportos.

Sustenta ainda a ASA que para retirar o maior proveito de qualquer sistema ou procedimento de voo, há um conjunto de condições de segurança que devem ser cumpridas, designadamente determinadas áreas de segurança que devem estar livres de qualquer obstáculo.

Face a isso, explicam que no aeroporto de São Vicente, “infelizmente”, há um conjunto de obstáculos naturais (terrenos) que perfuram as áreas de segurança necessárias para realização de voos em condições de visibilidade abaixo de 2.400 metros.

“Com essas informações, esperamos ter esclarecido à opinião pública sobre o tema das limitações à operação nos aeroportos nacionais em situações de condições meteorológicas adversas”, ressalta ASA, apelando à compreensão de todas as partes interessadas por eventuais inconvenientes causados por estas situações de bruma seca e agradecer a cooperação de todos durante esses períodos desafiadores.

  • Texto distribuído pela INFORPRESS – Agência Cabo-Verdiana de Notícias

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