Comandante da SATA despedido por declarações feitas no Facebook sobre a companhia

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A companhia aérea portuguesa SATA Internacional, que atua com base na Região Autónoma dos Açores, despediu o comandante Luís Miguel Sancho, na sequência de dois processos disciplinares, garantindo a empresa que a decisão nada teve a ver com declarações polémicas do funcionário na comissão de inquérito à transportadora, noticiou nesta quinta-feira, dia 24 a agência noticiosa portuguesa Lusa.

O comandante Luís Miguel Sancho confirmou que recebeu na segunda-feira a notificação da SATA a comunicar a decisão de despedi-lo, mas optou por não fazer mais comentários sobre o assunto, alegando que o mesmo está a ser estudado juridicamente.

Embora a decisão de despedimento não tenha sido tomada pelo atual presidente do conselho de administração da SATA, que assumiu funções a 18 de dezembro, Paulo Menezes afirmou à Lusa que, tanto quanto sabe, “o processo decorreu de acordo com as regras” e a decisão “não foi tomada de forma leviana”.

Paulo Menezes garantiu, ainda, que os dois processos disciplinares de que foi alvo o comandante Luís Miguel Sancho “nada tiveram a ver com as declarações do mesmo na comissão de inquérito ao grupo SATA”, que decorre até ao final do mês no parlamento dos Açores.

“Não há aqui nenhuma atitude persecutória por parte da SATA”, assegurou o responsável, revelando que um dos processos disciplinares se prendeu com afirmações sobre a SATA feitas pelo trabalhador na rede social Facebook e outro referente a atitudes manifestadas com o conselho de administração.

Luís Miguel Sancho, comandante na transportadora aérea açoriana desde 2001, foi ouvido a 12 de outubro na comissão parlamentar de inquérito ao Grupo SATA, em Ponta Delgada, onde classificou como “completamente obsoletos” os aviões A310 ao nível do conforto no interior da cabine, em comparação com a concorrência.

Aos deputados açorianos o comandante de ainda conta do que considerou serem incumprimentos do departamento de escalas da SATA, que “acarretam custos para a empresa e desmotivam trabalhadores”.

“Sou pago para fazer 900 horas por ano, mas a empresa só me dá 300 horas por ano e pagam-me o mesmo ordenado. É uma empresa muito boa para mim, mas é incomportável manter-se as coisas nesses moldes”, afirmou Luís Miguel Sancho, acrescentando que, por outro lado, “há colegas que têm muitas horas extra”, pelo que “a empresa não está a rentabilizar os seus trabalhadores”.

Na sequência destas declarações o presidente do conselho de administração da companhia aérea em funções, Luís Parreirão pediu à Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) uma auditoria à SATA Internacional, para que não restem dúvidas sobre a segurança que a transportadora oferece.

 

O comandante Luís Miguel Sancho está na SATA desde 2001, e até lhe ser movido o processo que levou ao seu despedimento, era comandante na frota de longo curso da companhia dos Açores, nos Airbus A310.

2 COMENTÁRIOS

    • Bom Dia. A notícia é da agência LUSA, a qual é citada no texto. Deve entender que as agências distribuem notícias para os jornais e outros meios informativos. Ninguém se apropriou da notícia. Foi lida nos jornais portugueses, os que a publicaram, e, naturalmente, no Público. Diversas vezes temos referido, também, notícias do seu jornal, e sempre com citação da fonte. Sou jornalista, e num portal do qual sou responsável pela parte noticiosa, não tem sido nossa prática copiar notícias, como o Rui pretende insinuar. Grato pela vossa intervenção.

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