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Investigação de acidentes aéreos em Portugal sem meios para tantos casos


 

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) de Portugal admite que não tem meios para responder a tempo a todos os casos que tem em mãos. À Rádio TSF, o diretor do gabinete, Álvaro Neves, conta que existem casos de 2011 que continuam com o processo de investigação em curso.

As recomendações internacionais definem que um acidente de aviação deve ser investigado em 12 meses, mas em Portugal a demora média ronda os 18 meses. No entanto, já foi pior. Durante mais de um ano, até agosto de 2014, o país não teve um único investigador de acidentes aéreos. Agora tem dois, metade do quadro previsto, e há mais de um ano que o GPIAA aguarda a nomeação dos dois investigadores que completem o quadro (já existe a aprovação do Ministério da Economia; falta apenas o acordo do Ministério das Finanças).

Perante este cenário, Álvaro Neves explica que tem um total de 90 investigações pendentes, há espera de conclusão, “um número muito elevado”, mas sublinha: “com dois investigadores não se fazem milagres” e até agora estes estiveram, essencialmente, a apreender rotinas e procedimentos. O responsável acrescenta que só depois da contratação de mais dois investigadores é que vai conseguir começar a diminuir o número de casos pendentes, nomeadamente aqueles “de 2011 até agora que aguardam por uma decisão”.

Um dos casos pendentes há mais de um ano envolve, por exemplo, um avião da TAP que em Julho de 2014 teve de aterrar de emergência depois de uma explosão num motor que levou à queda de peças em cima de carros no bairro de Camarate, em Loures.

A maioria dos casos em análise não envolve, contudo, aviões de grande porte, mas sim ultraleves, num cenário que se agravou no último ano. Álvaro Neves explica que, entre outras razões, por falta de capacidade para fazer prevenção, 2015 está a ser o ano com mais acidentes mortais neste tipo de aeronaves: “temos dois investigadores e só este ano já abrimos 26 processos, quando nunca pensei que tivesse-mos tantas ocorrências graves…”. Destes acidentes, cinco foram fatais e causaram um total de oito mortos.

Um número “preocupante” de acidentes com aviões ultraleves que já levou o GPIAA a publicar recentemente um documento com uma análise a este tipo de aviação, emitindo, em paralelo, uma série de recomendações reforçadas para os pilotos, recordando que a maioria destes acidentes se devem a erro humano.

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