Sindicato contesta dispensa de técnicos de manutenção aérea na TAP

O SITEMA – Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves diz que a “TAP não pode dispensar mais técnicos de manutenção de aeronaves”, alertando para as consequências da falta destes profissionais, segundo um comunicado distribuído em Lisboa por aquela estrutura sindical nesta quarta-feira, dia 18 de novembro.

A companhia aérea portuguesa “já procedeu à dispensa de uma parte destes nossos colegas que se encontram agora numa situação de desemprego”, sendo que “alguns já foram entretanto contratados por empresas concorrentes da TAP”, refere o sindicato.

A estrutura sindical referiu que a transportadora aérea “está a desperdiçar mais de 980.000 euros investidos só na sua formação teórica base, além do tempo e dinheiro já investido na sua formação prática, que agora se estava a iniciar e que era preciso manter por forma a atingir a sua maturidade profissional”, lembrando que leva em média 10 anos até um profissional destes estar totalmente autónomo.

“A dispensa destes nossos colegas não só não soluciona, como vem acentuar um problema grave já existente: a falta de mão-de-obra na nossa classe profissional devido à elevada saída destes profissionais para outras companhias aéreas”, lê-se no comunicado do SITEMA.

Em 2001, a TAP tinha cerca de 36 aeronaves e contava com 1.450 técnicos de manutenção de aeronaves (TMA), revela o SITEMA, adiantando que, “em 2020 para 86 aviões, mantendo o rácio de TMA/avião, a TAP deveria ter 3.505 TMA”. Contudo, “neste momento, a TAP tem menos de 900 TMA”, denuncia o sindicato.

“Não trabalhamos numa qualquer linha de montagem, trabalhamos numa área muito importante para a TAP e para a segurança da sua operação, que é a manutenção de aviões, motores e componentes. A falta de recursos humanos nesta área pode ser catastrófica e vem juntar-se à falta de outros meios, colocando em causa a própria segurança da operação e, por conseguinte, dos nossos clientes”, alerta o sindicato.

Além disso, “devido à falta de meios humanos, a TAP tem atrasado entregas de aviões em manutenção, recusado clientes externos e o cenário só não é mais grave porque a frota TAP está neste momento a operar a 30/40 por cento”, de acordo com o SITEMA.

“A TAP não pode dispensar mais técnicos de manutenção de aeronaves sob pena de comprometer a sua operação e o seu futuro”, lê-se na mesma nota.

O sindicato “continua a aguardar mais informações relativamente às implicações que o plano de reestruturação irá ter” nos seus associados, sendo que, para tal conta ser chamado “para nova reunião já que na reunião da passada sexta-feira nada foi dito quanto a esta importante matéria”, rematou.

A TAP tem realizado reuniões com os sindicatos que representam os seus trabalhadores por causa do plano de reestruturação da empresa, necessário para aceder aos fundos de apoio à transportadora, que sofreu com o impacto da covid-19.

 

  • A imagem é meramente ilustrativa e mostra um trabalhador da TAP a trabalhar na manutenção de uma aeronave da companhia. Foto © TAP Air Portugal

 

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