SITAVA contesta declarações do presidente do Conselho de Administração da TAP

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) acusou nesta sexta-feira, dia 23 de abril, o presidente do Conselho de Administração (CA) da TAP, Miguel Frasquilho, de “iludir” a realidade, numa entrevista à TVI24, com números das saídas de trabalhadores que “pecam por defeito”.

“Ao assistirmos ontem [quinta-feira] à intervenção do senhor presidente do Conselho de Administração da TAP, num dos canais da televisão portuguesa, não conseguimos esconder uma expressão de incredibilidade com o que ouvimos. Efetivamente, o senhor presidente do CA quando dissertou acerca dos despedimentos, conseguiu iludir completamente a realidade”, afirmou o sindicato, em comunicado.

Na entrevista, Miguel Frasquilho disse que o inicialmente tinha sido identificado um excesso de 3.000 trabalhadores na companhia aérea, que está a ser alvo de um processo de reestruturação.

“Depois, sem [Frasquilho] explicar muito bem porquê, passou a 2.000, o que, como é óbvio, retira total credibilidade à narrativa”, apontou o SITAVA, acrescentando que com as medidas de adesão voluntária (rescisões por mútuo acordo, pré-reformas, entre outras) propostas pela empresa, “segundo a empresa, saíram 860 trabalhadores, mais 50 para a Portugália, o que perfaz 910 postos de trabalho destruídos”.

No entanto, o sindicato lembrou que, desde março de 2020 até março de 2021, saíram da TAP 1.700 trabalhadores a quem não renovaram os contratos a termo.

“Os números do senhor presidente pecam por defeito. Afirmamos categoricamente que, até este momento, já foram destruídos mais de 2.500 postos de trabalho e, se teimarem em levar por diante o tenebroso processo que está em curso, de despedimento coletivo disfarçado de voluntário, serão mais de 3.000 postos de trabalho sacrificados na TAP, SA”, apontou o SITAVA.

O sindicato do pessoal de terra da TAP reiterou que a companhia aérea está a ser alvo de uma “purga”, que, quando concluída, deixará na empresa “pouco mais de 5.500 trabalhadores”.

“Isto é um suicídio e teremos que pedir responsabilidades também ao Governo, não só pela catástrofe social de injustiças e de famílias destruídas, atiradas para o desemprego – com a capa de medidas voluntárias – mas também por colocar em causa a própria recuperação da empresa”, acrescentaram os representantes dos trabalhadores.

 

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