SITAVA contesta gestão da Comissão Executiva de transição na TAP

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O SITAVA – Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos diz que se vive na TAP “desde há algum tempo um clima de paz falsa que, tendo nós o conhecimento que temos da situação da empresa, transmite aos trabalhadores uma sensação de abandono”.

Os sindicalistas distribuíram um comunicado nesta terça-feira, dia 3 de novembro, em que referem ter havido, como se tem tornado habitual, no final de cada mês, mais uma reunião, com o Departamento de Recursos Humanos (DRH) da TAP, em que estiveram presentes outras organizações sindicais, e na qual “voltaram a ser transmitidas as opções da empresa no que respeita à redução do período normal de trabalho e do respetivo corte salarial para todos os trabalhadores da empresa”. “Tal como no mês anterior”, refere o comunicado do SITAVA, “foram aplicados vários níveis de redução que vão dos 5% aos 60%, aos quais correspondem também níveis salariais diferentes, compreendidos entre os 88% e os 99%”.

E prossegue o comunicado:

“Este ‘ritual’ que começa a banalizar-se, acarreta em si mesmo uma insuportável carga psicológica na medida em que somos colocados perante a realidade de mais um mês de grande sofrimento para os trabalhadores, sem que nada mais possamos fazer que lamentar a desproporcionalidade das medidas. Temos consciência que nesta altura há já muitos trabalhadores a passar momentos de grande constrangimento e até de alguma privação.”O sindicato alerta que “factos consumados serão sempre muito mal recebidos pelos trabalhadores” e lamenta que a Comissão Executiva não tenha integrado a opinião informada dos trabalhadores no seu processo de gestão.

O SITAVA diz que está ciente da situação por que hoje passa a aviação comercial em todo o mundo, mas denuncia que o que se está a passar na TAP é bem diferente. Acusa a companhia de “impingir com recados e notícias plantadas na comunicação social de que será sobre os trabalhadores que recairão os custos da crise. Desenganem-se aqueles que pensam dessa forma. Reafirmamos que não aceitaremos nem cortes cegos nem factos consumados. Apenas o diálogo e a negociação são as ferramentas da democracia.”

“Os trabalhadores de terra da TAP já deram e estão a dar muito do seu salário, e por isso exigem que a Comissão Executiva informe o estado das negociações com os variadíssimos fornecedores, e principalmente com os leasings da frota”, lê-se no documentos dos sindicalistas que pretendem saber também os custos dos parqueamentos de aviões em placas de empresas onde o Estado Português é também acionista.

O comunicado termina com uma abordagem ao facto de estarem a ser enviados aviões para revisões técnicas programadas na unidade M&E Brasil, no Rio de Janeiro, quando existe capacidade e espaço em Lisboa para esse trabalho ser realizado.

O SITAVA insurge-se ainda para a cada vez mais maior tendência de utilização de empresas e trabalhadores em regime de outsourcing: “Não podemos deixar de alertar os responsáveis incluindo o Governo que representa o acionista Estado que, a verificarem-se tais práticas, elas iriam claramente contra os compromissos assumidos pelo Senhor Ministro em reunião com os sindicatos, e configuraria um autêntico crime económico contra a empresa”.

 

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