SNPVAC denuncia “situações dramáticas” dos trabalhadores da EasyJet no Algarve

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O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) afirma que há trabalhadores da EasyJet em Faro, no Algarve, sul de Portugal, que enfrentam “situações dramáticas”, pedindo o fim deste tipo de condições.

“Os nossos trabalhadores em Faro passam grandes dificuldades. Nós temos trabalhadores que tiveram que viver dentro de carros durante alguns meses, auferiam à volta de 350, 400, 500 euros a operarem durante um mês. Quase todos os nossos trabalhadores de Faro têm que ter um segundo ou um terceiro trabalho”, disse Ana Dias (na imagem de abertura), diretora do SNPVAC, ao depor nesta quarta-feira, dia 3 de maio, na Comissão Parlamentar de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, em Lisboa.

De acordo com a diretora sindical, estes trabalhadores estão a trabalhar como condutores de TVDE durante a noite e trabalham para a companhia aérea durante o dia, “cansados”.

Estas condições podem, segundo Ana Dias, “comprometer, também, a segurança do voo, como é lógico”.

“São situações muito dramáticas que se vivem em Faro e é mais do que uma questão legal, é uma questão social e temos que eliminar por completo esse tipo de contratos”, defendeu.

De igual forma, o SNPVAC pediu, também, melhorias salariais.

“Os nossos salários não estão ajustados nem ao custo de vida em Portugal, nem àquilo que se pratica no mercado da aviação aqui em Portugal, e muito menos quando comparados com os nossos colegas lá fora”, afirmou Ana Dias, apontando que um colega francês ou alemão “aufere mais 90%” do que um trabalhador português na EasyJet em Portugal.

O sindicato diz que os trabalhadores da EasyJet em Portugal recebem cerca de menos 60%, em média, do que os restantes trabalhadores da empresa na Europa.

Ana Dias registou que o sindicato não pretende aumentos que igualem esses valores, mas pede “um aumento que, pelo menos, acompanhe o crescimento da EasyJet aqui em Portugal”.

A diretora sindical registou que a companhia aérea é “líder no mercado europeu” em algumas rotas, nomeadamente nas ligações com Reino Unido, França e Luxemburgo, e recordou que adquiriu vários slots que pertenciam à TAP e que foram distribuídos no seguimento da reestruturação e os ganhos no espaço no Terminal 1 do Aeroporto de Lisboa.

“A companhia continua a não assumir essa responsabilidade e a tratar os trabalhadores portugueses como trabalhadores de segunda”, acusou a sindicalista.

Já o presidente do SNPVAC, Ricardo Penarroias, constatou que a há “um grau de insatisfação tão grande que, neste momento, os tripulantes de cabine não pretendem mais conversações, querem ações”.

Ricardo Penarroias registou que tem havido, nos últimos anos, uma modificação da política da companhia aérea.

“Eu entrei nas funções como diretor sindical em 2019, e eu vi uma política muito diferente. Apesar de low cost, no seu segmento comercial, a verdade é que na EasyJet havia uma diferença gigante, abismal, entre uma EasyJet e uma Ryanair na política de tratamento entre o trabalhador e a empresa”, referiu.

“A verdade é que, passados três anos, quatro anos – não sei se é de efeitos da pandemia, não sei se advém da contratação de diretores que vinham da Ryanair – , a verdade é que a EasyJet passou a ter uma política totalmente diferente”, atirou o presidente do sindicato.

 

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