TAP contesta exagero das taxas aplicadas pela ANA nos aeroportos nacionais

A TAP Air Portugal, companhia aérea de bandeira portuguesa, cujo capital é detido totalmente pelo Estado Português, manifestou-se na tarde desta terça-feira, dia 4 de outubro, contra a intenção da ANA – Aeroportos de Portugal aumentar as taxas aeroportuárias. E acusa a ANA de exagero nos aumentos e de “ausência de investimentos significativos nos aeroportos portugueses nos últimos anos e as ineficiências e constrangimentos recorrentes”.

Num comunicado distribuído em Lisboa, intitulado “Aumento dos encargos penaliza ainda mais a TAP, os passageiros em geral e a economia do País” os responsáveis pela gestão a companhia aérea dizem que estão bastante preocupados com a anunciada intenção de aumentar as taxas aeroportuárias revelada pelo concessionário dos principais aeroportos portugueses. “Esta medida seria desproporcionada, dada a ausência de investimentos significativos nos aeroportos portugueses nos últimos anos e as ineficiências e constrangimentos recorrentes, que afetam em particular o nível de serviço prestado às companhias aéreas e a todos os passageiros que utilizam o aeroporto de Lisboa”.

As palavras são bastante contundentes e mostram discordância com o concessionário dos aeroportos nacionais, que não obstante a situação de menores proveitos porque têm passado as companhias aéreas nos últimos dois anos, nomeadamente a TAP, continua a aumentar as suas taxas e os preços dos seus serviços, com previsão de lucros bastante confortáveis já em 2022.

Os valores propostos pela ANA Aeroportos para entrar em vigor a 1 de janeiro de 2023 representariam aumentos por passageiro de 35 cêntimos nos Açores, 79 cêntimos na Madeira, 80 cêntimos em Faro, 81 cêntimos no Porto e 1,53 euros em Lisboa.

“Caso estes aumentos se concretizassem, somados ao forte aumento do preço dos combustíveis, significariam um aumento dos custos das companhias aéreas com impacto nos preços das viagens para os residentes em Portugal, assim como reduziriam a competitividade de Portugal como destino turístico”, lê-se no comunicado divulgado pela TAP.

Os responsáveis pela companhia aérea portuguesa consideram que “estes aumentos contribuiriam também para agravar a situação económica da TAP Air Portugal, principal cliente dos aeroportos nacionais, dos passageiros aéreos em geral e dos passageiros portugueses em particular, especialmente os que vivem nas regiões autónomas”.

Sem rodeios, a TAP é direta e insurge-se contra as atuais taxas cobradas no aeroporto da capital portuguesa, mais altas que as de outros grandes aeroportos europeus: “Mesmo antes destes aumentos, as taxas cobradas aos passageiros dos voos domésticos entre aeroportos portugueses ou com escala no hub de Lisboa são já significativamente mais elevadas do que as cobradas nos aeroportos e hubs das principais companhias aéreas europeias que concorrem com a TAP. Também as taxas aeroportuárias cobradas aos passageiros que viajam da Europa para o Brasil, Estados Unidos ou África são já significativamente mais elevadas em Portugal do que as cobradas aos passageiros que fazem escala nos principais hubs europeus.”

 

A TAP diz que será parte ativa no processo de consulta lançado pela ANA Aeroportos e informará a ANAC e outras autoridades competentes da sua oposição determinada a estes aumentos das taxas aeroportuárias em Portugal e da necessidade de encontrar uma abordagem diferente em relação às taxas aeroportuárias que possa funcionar como fator competitivo para a economia portuguesa.

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