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Um dia de barceloneta por Enderson Rafael

Um dia de barceloneta

No final de abril, tive uma oportunidade pela qual estava esperando há muito tempo. Eu faria um voo para Barcelona, com um longo descanso de quase 48 horas por lá. Convidei minha esposa e ela adorou a ideia, e assim fizemos. Após quase sete horas de voo – metade delas acompanhando um belíssimo poente, já que voávamos na mesma direção da rotação da Terra – pousamos no final da noite no frenético El Prat. Teríamos o dia seguinte inteiro na cidade, e eu só voaria de volta para o Golfo Pérsico na noite posterior. Era nossa primeira vez por lá, um dos destinos mais visitados da Península Ibérica. A operação em Barcelona já é um artigo à parte, mas agora era hora de descansar para no dia seguinte passearmos pela cidade.

Acordamos relativamente tarde, mas com o dia claro até às 20 horas, teríamos tempo. Resolvemos começar pelo Laberint D’Horta, e foi uma grata surpresa. Muito bem cuidado e de muito bom gosto, passamos um par de horas agradabilíssimo registrando inúmeros ângulos de um lugar que parece ter inspirado o tenso “O Labirinto do Fauno”, filme espanhol imperdível da minha época de faculdade. De lá, descemos para as Ramblas, famosas e lotadas. O mercado La Boquería é um espetáculo de cores, aromas e sabores, com certeza está entre os mais ricos que já visitei! De bebidas e carnes, de presuntos a frutas, há de tudo, de ótima qualidade e impressionante variedade. Petiscamos alguma coisa e continuamos andando pelas Ramblas, uma paradinha aqui e ali para comprar alguma lembrancinha e resolvemos experimentar a paella do bar Patagónia. Ótima pedida, completada com um churros de sobremesa. De lá caminhamos até o metrô, que exige um pouco de dedicação: a cidade é muito bem servida mas talvez por isso mesmo, o sistema é ligeiramente complexo de entender para quem o vê pela primeira vez. Em poucos minutos chegamos à famosa basílica da Sagrada Família. Realmente uma visão única, não apenas na grandiosidade que a destaca no skyline da cidade, mas pela complexidade de sua decoração. Estava cheio e não quisemos perder tempo na fila, então seguimos para a última investida turística do dia, o Parque Güell. Olhamos no mapa, era factível, decidimos ir a pé. A caminhada foi puxada, quase uma hora morro acima. Chegando lá, fica a dica: compre antes na internet, o número de visitantes é limitado. Nos contentamos com a parte gratuita do parque e com a bela visão do mirante Virolai, ambas imperdíveis.

Na descida da parte alta da cidade, paramos para um café. O sol estava se pondo, e ao mesmo tempo que estávamos cansados do dia rodando pela cidade, ficamos com pena de voltar para hotel imediatamente, afinal, o dia seguinte seria para descansar para o voo da noite. Olhei rapidamente no Facebook onde meus amigos haviam estado. Um dos que tem melhor gosto dentre eles estivera num pequeno bar do qual até então, eu nunca ouvira falar. Procurei no Google, e o lendário Anthony Bourdain também o recomendava, não tinha como dar errado. Olhamos o mapa do metrô, era fácil chegar lá de onde estávamos, apenas uma baldeação. Descemos na Paral.el, saímos na direção oeste e entramos na obscura Carrer del Poeta Cabanyes. Era uma portinha, lotada, mas lá estava, o tal Quimet&Quimet. Esperamos alguns poucos minutos e conseguimos um lugar num cantinho do balcão. Dali para frente, tivemos uma das mais memoráveis experiências gastronômicas de nossas vidas. Fazíamos os pedidos das tapas, e uma simpaticíssima senhora – e que falava português tão bem quanto nós – os montava com destreza a partir de uma variedade de produtos de extrema qualidade, e a combinação dos sabores era simplesmente fantástica. Comemos mais do que planejáramos, simplesmente porque era irresistível. Dos muitos lugares incríveis que a vida de tripulante têm me proporcionado nesses últimos 13 anos, com certeza o miúdo Quimet&Quimet figura num lugar de destaque. Voltamos na noite seguinte renovados, e com a mala cheia de boquerones, aspargos gigantes, alcachofras, caviar e queijo brie, para tentar, em casa, um pouquinho das maravilhas que descobrimos por lá.

Foto: O “montadito” com o qual fechamos a noite. De todas as boas surpresas de Barcelona, essa com certeza foi a mais grata.          

 


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