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Estreia no A380 da Emirates

Lembro-me perfeitamente de quando voou o A380 pela primeira vez, foi a 28 de Abril de 2005, dias antes do exame de comunicações do PPA. Só no ano seguinte vi um A380 com os meus próprios olhos. Foi em Toulouse, durante uma viagem de trabalho, sem estar à espera que avistei um dos protótipos a fazer toca-e-anda. Ia dentro de um táxi na via rápida circular de Toulouse, até o taxista deve ter achado que transportava um maluco pelo entusiasmo louco a abrir janela para tirar fotos. Enchia os céus como nenhum outro, e até da cantina na empresa onde visitei se via ao longe. Fiquei boquiaberto como é que os locais viam aquela grandiosidade passar sem fazer caso. Em 2006 fomos de carro a Toulouse, para comemorar o dia dos namorados, visitando a fábrica. Estavam vários A380 já quase prontos, da Singapore e Qantas, e pudemos ir a dentro da linha de montagem num tour turístico, onde há um miradouro lá mesmo em cima. O imenso edifício não tem colunas, e estavam lá dentro quatro A380s em simultâneo, cada um com 80 metros de envergadura. Visitei a linha de montagem dos A318/19/21 em Hamburgo e não há comparação possível. É espantoso o ambiente sossegado da montagem dos aviões pois parece, e é, uma obra de artesanato, com os trabalhadores a encaixarem uma peça de cada vez, registando tudo em sistemas informáticos. Está tudo planeado ao mais ínfimo pormenor, montagem das seções das fuselagens, asas, motores, até se juntar os três milhões de peças que compõem o A380. Atrasos nas entregas significam penalizações de milhões de euros pagas pela Airbus aos clientes, que muitas vezes venderam bilhetes para viagens que deviam ser feitas com esse mesmos aviões. É comum um avião ser levantado da fábrica e voar com passageiros pagantes um dia depois.

Vimos um vídeo onde o piloto chefe de testes, Fernando Alonso (homónimo e compatriota do piloto campeão da F1) colocava o avião em perda, exatamente ao ângulo de ataque calculado pelos engenheiros.

Devido a imensos problemas de integração de componentes da fuselagem, o primeiro voo comercial atrasou até Outubro de 2007, quando o 9V-SKA da Singapore Airlines fez um Singapura-Sydney. Nesse dia, a “Rainha dos Céus”, o Boeing 747, abandonou para sempre a liderança da supremacia dos ares do transporte de passageiros.

O planear do nosso voo

Na Páscoa de 2010 decidimos que íamos andar de A380. Dentro das poucas ligações para a Europa na altura, os voos mais baratos eram Paris Charles De Gaulle-Dubai, e numa companhia que sempre admirámios, a Emirates, conhecida por patrocinar o Chelsea durante os anos do Mourinho e por dar o nome ao estádio do Arsenal. Marcando nas vésperas da Páscoa, conseguimos preços já menos atrativos, cerca e 680€ ida e volta cada um. Marcámos o voo antes de saber se era preciso visto, pouco interessava, mesmo que não entrássemos no Dubai, era A380 na ida e na vinda na mesma, que era o objetivo principal. Ao marcar do lugar na ida escolhemos os lugares 55J e 55K, números que nos localizavam à frente da asa, mas no piso inferior. Este A380 tinha uma configuração de cabine de 489 lugares, em três classes, uma das mais orientadas ao passageiro com poder de compra. A primeira classe e executiva ocupam todo o piso superior e a primeira metade do piso onde ficamos nós. Podíamos escolher entre comida vegetariana, muçulmana ou prato de peixe ao fazer a reserva na internet, e de facto recebemos aquilo que estava planeado.

O grande dia de estreia

Em Lisboa fizemos o check-in online, e rumámos a Paris Charles de Gaulle (na easyJet) para embarcar no terminal T2C. Cerca de duas horas antes da partida já estava lá o A380, imenso, muito difícil de fotografar de perto, há sempre algo por perto a tapar, e a imensidão nota-se quando está ao pé um mais pequeno 747, A340 ou 777.

Um dos carros do catering sobe até ao piso de cima, tal como uma das mangas de embarque que evitam o congestionamento das escadas interiores.

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A380 Emirates – 6000º Airbus

Pela matrícula (A6-EDH) vimos ser mais do que o 25º A380, esta foi a 6000ª aeronave a sair da fábrica da Airbus, um marco gigantesco na engenharia europeia.

O embarque foi bastante eficiente devido ao esquema de manga dupla. Ao entrar no avião começamo-nos a aperceber que voar na Emirates é também uma experiência de referência. A caligrafia árabe dourada dá um toque de classe, e a tripulação composta de pessoas de várias etnias abre o caminho para um mundo ímpar que são os Emirados Árabes Unidos.

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A380 Emirates cabine

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Prestes a entrar no A380

Nada é monótono, velho, ou feio na Emirates. Posso garantir que uma pessoa se sente rica quando lá entra. A mesma coisa que dar a volta de carro à frente do Casino de Monte Carlo, e estacionar ao lado de Ferraris e Rolls Royces. Os assentos são espaçosos, ergonómicos e confortáveis. Na altura a Emirates tinha três voos diários para Paris, um com A380 e dois com Boeing 777, somando uma oferta de cerca de 1200 lugares. Conseguem taxas de ocupação boas, e embora as airlines europeias protestem veementemente em Bruxelas contra falsa competitividade, o poder económico dos EAU prevalece. No caso da França, a Air France até poderia ter razão de queixa, mas a Emirates é um dos melhores clientes da Airbus, tendo sido o grande impulsionador do A380 com uma encomenda de 58 aeronaves (na altura), crucial para o projeto poder entrar em fase de produção.

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A380 Emirates – classe económica

Sentados junto á asa, pudemos observar uma inovação na Airbus. A forma é arredondada, e parece ter algum diedro positivo, raro em aviões de asa baixa. Basta olhar para a ponta da asa na próxima foto, que está já bem abaixo do ponto máximo do extradorso. É espantoso quando nos apercebemos que entre a janela e a ponta da asa, distam cerca de 35 metros. Este modelo tem o nome de A380, devido aos 80 metros de envergadura, maior distância de ponta a ponta de asa na aviação comercial.

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Asa do A380 da Emirates

O comandante, com sotaque germânico, dirigiu-se aos passageiros com um tom de voz um bocado diferente daquilo que estamos acostumados. Firme, mas muito cordial, deu um ar de comandante de navio de cruzeiro, e era indubitável o seu orgulho de voar o avião bandeira do mercado.

Entretidos a mexer nos écrans touch-screen,  acedemos a centenas de séries, músicas, documentário, tudo on-demand.

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Avatar no Inflight Entertainment

O vídeo de segurança de voo tinha duas versões: uma falada em inglês, com desenhos 3-D em que mostravam pessoas com ar Ocidental a evacuar o avião, e outra em Árabe com representações de povos do médio oriente.

Portas fechadas e push back

Assistimos pela camera do topo da cauda ao push-back da gate, e foi um momento de arrepiar o sentir logo após os 4 potentíssimos motores GP7200 a serem ligados um a um. Começámos a taxiar, num movimento silencioso, até chegarmos á pista.

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A taxiar no inflight entertainment

O A380 rolou um bocado, descolou firme, com atitude e facilidade, sem grande trepidação. Qualquer avião wide-body, com dois corredores tem a zona central das bagageiras a abanar um bocado á descolagem, caso do A310/30/40. O A380 não, a subida é apenas uma corrida de descolagem inclinada. As asas pouco fletiam, totalmente ao contrário de um A330 por exemplo.

Tínhamos um comando semelhante ao uma playstation que permitia mudar de canal, jogar ou telefonar. Passava-se o cartão de crédito numa ranhura e podíamos ligar por satélite a 5 USD por minuto, e ligámos para a Madeira imediatamente. Os assentos estavam ligados internamente e eram gratuitas as chamadas entre passageiros a bordo, usando o sistema do avião. A Emirates, não sei se por norma da companhia, ou por risco de gelo na rota, levou sempre as luzes dos motores acesas, o que dá o seguinte efeito:

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Informação de voo no Inflight entertainment

Acima podemos ver também que estamos 977 milhas do destino, a 38 000 pés de altitude e apesar de estarmos a 564 milhas de velocidade em relação ao ar, na realidade fazemos 593 milhas por hora em relação ao solo porque temos vento de cauda. A tripulação falava a bordo dez línguas diferentes, Árabe, Inglês, Francês, Hindi, Urdu, Malaio, inclusive o Português.

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Refeição muçulmana

Desembarcámos no Terminal 3, exclusivo para a Emirates, que é do mais luxuoso que já vimos, com aspeto “Zen”, tem cascatas artificiais, palmeira, espaços amplos e iluminados com jogos de cores que fazem descontrair o passageiro, além de ser eficiente e termos gasto pouco tempo em filas de espera.

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Terminal 3 do Aeroporto do Dubai – Chegadas

O regresso

Durante a estadia no Dubai onde vimos um iate com registo madeirense e comemos um “prego” no restaurante português “Nando’s”, os A380 raiavam os Céus mesmo por cima da nossa cabeça:

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A380 da Emirates embeleza por do sol do deserto

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Terminal 3 do Aeroporto do Dubai – Embarque

O regresso foi no A380 A6-EDC, número de série 16. Desta vemos viemos estrategicamente no lado esquerdo de modo apanhar as palmeiras artificiais nas fotografias, baseado no padrão de descolagens que observámos durante a semana na cidade e nas cartas aeronáuticas. O embarque foi rápido, fazendo-se por manga de duplo andar.

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A380 do regresso

Ao descolar, vimos do maior miradouro do mundo a bela palmeira de Jumeirah, com apartamentos T1+1 a 500 000 USD.

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Jumeira Beach

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Algures sobre a Bulgária

Resumindo, foi uma grande experiência tanto pela máquina, como pela Emirates e o próprio Dubai.

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