Aeroporto de Cabul está fechado para voos comerciais

O Aeroporto Internacional Hamid Karzin, na cidade de Cabul, capital do Afeganistão, encontra-se encerrado para voos comerciais, devido à entrada na cidade dos Talibãs, que tomaram o poder no País, vinte anos após terem sido derrubados por uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos da América e pela Aliança Atlântica (NATO/OTAN).

O encerramento do aeroporto, apenas para voos comerciais, surgiu ao princípio da noite deste domingo, dia 15 de agosto, após notícias de que já se registam tiroteios esporádicos próximo das instalações aeroportuárias. Os Talibãs durante a manhã estavam posicionados em diversas entradas da cidade, mas anunciaram que não forçariam a entrada, porque havia indicação de que o governo apoiado militarmente, até há poucos dias, pelos Estados Unidos da América, iria render-se e que seria nomeado um governo de salvação nacional.

O que se sabe no final deste domingo, segundo as agências noticiosas internacionais, é que o presidente Ashraf Ghani partiu para o exílio, no Casaquistão, e que uma delegação governamental se deslocou para Doha, no Qatar, onde negociará com os dirigentes dos Talibãs, entretanto recebidos durante a manhã, pelo ex-presidente do Afeganistão, em Cabul. Um Boeing 777-300 da Qatar Airways, matrícula A7-BEO, deslocou-se de manhã ao Afeganistão e regressou ao princípio da noite a Doha.

As companhias dos Emirados Árabes Unidos, nomeadamente a Emirates e a FlyDubai, já tinham anunciado o cancelamento das operações para aeroportos do Afeganistão.

Pelas 18h00 UTC deste domingo verificava-se grande confusão no Aeroporto de Cabul, com aviões C-17 da Força Aérea dos Estados Unidos a embarcarem os norte-americanos e outros funcionários afectos. Uma operação de evacuação que obrigou à deslocação para Cabul de milhares de militares dos EUA, para montar a segurança do aeroporto. A operação continuará durante a noite e nesta segunda-feira, disseram fontes diplomáticas. O embaixador dos EUA já chegou ao aeroporto, segundo as agências internacionais. Com ele transporta a bandeira dos EUA, que antes assinalava a Embaixada norte-americana em Cabul. Ele próprio anunciou que se ouvem bombardeamentos das forças talibãs na cidade.

Os Estados Unidos decidiram retirar as suas forças militares do Afeganistão em maio passado até 31 de agosto. Contudo, apressaram a evacuação para este fim-de-semana, dado o avanço dos insurgentes talibãs que já conquistaram a maioria das capitais provinciais antes de chegarem a Cabul. Um processo que se tornou relativamente fácil, face à rendição consecutiva das forças militares nacionais, antes fiéis ao regime que governou Cabul nos últimos 20 anos.

Há ainda notícias de que os responsáveis militares pela Base Aérea de Bagram, onde estiveram instaladas as forças militares dos EUA e da NATO, e que tinha sido devolvida às Forças Armadas do Afeganistão, em julho passado, renderam-se neste domingo aos Talibãs.

Os EUA e a NATO estiveram baseados em Bagram durante os últimos 20 anos, após os atentados de 11 de setembro de 2011 às Torres Gémeas, na cidade de Nova Iorque, e ao Pentágono, em Washington. O Ocidente, nomeadamente os EUA, acusavam o grupo islâmico dos Talibãs, que governou o Afeganistão de 1996 a 2001, de darem proteção a Osama bin Laden, mentor dos ataques terroristas nos EUA. Por isso os destronaram do poder no Afeganistão, apoiando militarmente o golpe que os colocou fora de Cabul.

A saída das tropas ocidentais do Afeganistão tinha como data limite o mês de setembro deste ano, 20 anos após os atentados. A data acordada aquando das negociações, não pode ser cumprida, dada a incursão dos talibãs, que se tinham comprometido realizar negociações diretas com o atual governo em Cabul ou eleições livres no Afeganistão, após a retirada das forças militares dos EUA e da NATO.

Uma situação para acompanhar nos próximos dias e que pode ter desenvolvimentos imprevisíveis.

Entretanto, diversos países recomendaram às suas companhias aéreas para não sobrevoarem o espaço aéreo do Afeganistão nas suas viagens de longo curso para e de países asiáticos.

 

  • Notícia em desenvolvimento – 18h10 UTC

 

 

 

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