Air Asia quer abrir uma companhia de baixo custo com base em Macau

Tony Fernandes, fundador e presidente executivo da Air Asia, a maior companhia aérea de voos de baixo custo da região asiática, admite a possibilidade de Macau vir a ter uma base da companhia para servir os clientes chineses.

Em entrevista ao jornal ‘South China Morning Post’, de Hong Kong, publicada nesta quinta-feira, dia 28 de março, Tony Fernandes afirmou que “entrar na China pode ser através de Macau”, o que torna a Air Asia a primeira companhia de aviação a antecipar a aposta no território depois de 25 anos de monopólio da Air Maca, que chegaram ao fim em janeiro deste ano.

“Não temos que estar na China continental, mas estar em Macau é como estar na China”, afirmou o diretor executivo da Air Asia, um empresário malaio de ascendência portuguesa, numa conferência sobre investimento realizada em Hong Kong. Uma base em Macau, o primeiro apoio na China para a transportadora com sede em Kuala Lumpur desde o seu serviço inaugural em 2004, facilitará o acesso para os passageiros chineses.

Tal base serviria também para testar a adesão da Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, um projeto de criação de uma metrópole mundial que envolve as regiões administrativas especiais chinesas de Hong Kong e de Macau, e nove cidades [Cantão, Dongguan, Foshan, Huizhou, Jiangmen, Shenzhen, Zhaoqing, Zhongshan e Zhuhai] da província de Guangdong, no sul da China.

No total, nesta região habitam cerca de 70 milhões de habitantes e possui um Produto Interno Bruto que ronda os 1,3 biliões de dólares, maior que o PIB da Austrália, Indonésia e México, países que integram o G20.

Atualmente, a Air Asia voa para quatro destinos da região da Grande Baía: Hong Kong, Macau, Shenzhen e Cantão, e está aberta à possibilidade de obter um certificado de operador aéreo (COA) para operar uma companhia aérea em Macau, disse Tony Fernandes.

“Se a possibilidade surgir [de ter uma base em Macau], sim, isso é outra forma” de chegar ao mercado chinês, acrescentou.

Tony Fernandes, fundador, proprietário e presidente da Air Asia.

As operações da Air Asia atravessam toda a região e incluem Malásia, Tailândia, Indonésia, Filipinas, Índia e Japão. A companhia também concordou lançar uma unidade de baixo custo no Vietname.

A transportadora é a segunda maior utilizadora do aeroporto de Macau, onde ocupa 15% das faixas horárias, com voos provenientes da Malásia, da Tailândia e das Filipinas, com 102 partidas marcadas todas as semanas. Só a Air Macau tem presença maior, controlando dois quintos das faixas horárias.

“Macau tem um lugar muito especial no meu coração. Acreditaram em nós quando não erámos nada”, disse.

A companhia voa para 18 destinos na China, “o que prova que a aviação na China é um mercado aberto”, acrescentou.

A Air Asia também se prepara para lançar, em Macau, uma empresa de serviços de handling aeroportuário (acolhimento de passageiros, despacho de bagagens e de aeronaves) o que permitirá uma redução de custos de operação.

A transportadora de baixo custo está ainda a preparar-se para vender viagens em transportes locais, como autocarros, ‘ferries’ e comboios, o que lhe permitirá aproveitar as vantagens da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a maior travessia marítima do mundo, bem como do comboio de alta velocidade que deverá ligar toda a região, indicou o jornal de Hong Kong.

 

  • Com informações do jornal ‘Tribuna de Macau’ e da agência de notícias portuguesa ‘Lusa’

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