Rotas deficitárias da SATA para os Açores deverão ser resolvidas antes de 2023

O presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA, Luís Rodrigues, admitiu nesta quarta-feira, dia 26 de outubro, que o atraso na resolução do problema das rotas deficitárias entre os Açores e o continente, poderá gerar um “problema” em 2023.

“É uma coisa que não depende da companhia. Tem de ser resolvida entre o Governo da República, a Região e a ANAC [Autoridade Nacional de Aviação Civil], e que, por alguma circunstância que me ultrapassa, até agora não foi resolvida”, lembrou o administrador da SATA, durante uma audição parlamentar na cidade de Ponta Delgada, ilha e São Miguel, na Região Autónoma dos Açores.

O responsável alertou que, “no final de março de 2023”, a companhia vai deixar de operar rotas deficitárias, por imposição de Bruxelas, situação que considerou ser “um problema” que “alguém vai ter de resolver”.

Luís Rodrigues, que foi ouvido pelos deputados, com caráter de urgência, a pedido da bancada do Partido Socialista (OS), relativamente às contas da transportadora aérea regional do primeiro semestre de 2022, referia-se às rotas de serviço público Lisboa-Santa Maria, Lisboa-Pico, Lisboa-Horta (Faial) e Madeira-Ponta Delgada (São Miguel), que alegadamente dão prejuízo, mas que desde 2015 deixaram de ser comparticipadas pelo Estado.

“Bruxelas escreve claramente que a companhia não se pode apresentar a rotas em ‘deficit'”, alertou o administrador da SATA.

A imposição, disse, resulta do plano de reestruturação da empresa, aprovado pela União Europeia.

O responsável admitiu que a transportadora açoriana poderá prolongar essas rotas “por mais algum tempo”, embora considera que, do ponto de vista financeiro, isso seja “o pior” cenário.

Luís Rodrigues referiu-se também ao serviço de handling, prestado pela SATA, para dizer que, provavelmente, a companhia não vai privatizar a empresa responsável pela bagagem aérea, atendendo a que mais de 80% do fluxo comercial está afeto à SATA Air Açores [responsável pelas ligações interilhas].

“Nenhuma instituição pode impedir a companhia aérea de fazer o seu próprio handling“, explicou o presidente da SATA, adiantando que não faz sentido entregar a privados a totalidade de um serviço que é prestado por uma empresa de capitais públicos: “duvido que alguém queira ficar com os restantes 15% da atividade”.

O presidente da SATA voltou a destacar os bons resultados da companhia registados este Verão, que considerou serem “os melhores de sempre”, bem como a recuperação “milagrosa” da transportadora nos últimos anos, apesar do contexto negativo (pandemia, crise energética e guerra na Ucrânia), e admitiu que há vários interessados na privatização da Azores Airlines (empresa do Grupo SATA responsável pelas ligações de e para o exterior dos Açores).

“O facto de já termos recebido manifestações de interesse de potenciais compradores, indica que sim, que o caminho está a ser trilhado e que é bem visto por aqueles que estão interessados”, sublinhou Luís Rodrigues.

Os deputados da Comissão de Economia aproveitaram a audição parlamentar para criticarem a forma como a SATA divulgou, em comunicado, os resultados operacionais relativos ao Verão deste ano, considerando que a forma como os números foram apresentados induz os açorianos em erro.

Os deputados do PS, que requereram a audição do presidente da SATA e também da secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral (que tutela a companhia aérea), entendem que, apesar dos dados divulgados, “os resultados operacionais da SATA estão aquém das expetativas”.

 

 

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