White Airways considera comunicado da TAP insultuoso e lesivo da honra da empresa

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A White Airways, visada no comunicado da Comissão Executiva da TAP, do passado dia 19 de outubro, no qual a companhia aérea de bandeira portuguesa, anuncia a reestruturação da sua frota para este Inverno e a não renovação do contrato com a empresa que fornecia o serviço da frota com aviões turboélices ATR 72-600 (LINK notícia relacionada), distribuiu neste domingo, dia 23 de outubro, um comunicado/esclarecimento intitulado “A White Airways não é bode expiatório, é vítima das opções da TAP contra o emprego e a economia nacional”.

Trata-se de um documento bastante crítico da atuação da Comissão Executiva da TAP neste dossiê, e no qual a White Airways resume a atividade desta empresa portuguesa de transporte aéreo, que tem atuado no segmento de aluguer de aviões, ACMI e charters. Porque consideramos que a publicação de partes do documento poderia prejudicar o entendimento dos factos em causa, publicamos em seguida o esclarecimento da White Airways na íntegra:

 

“A White Airways é uma empresa portuguesa com um histórico de serviços aeronáuticos prestados ao país, com experiência, competência, criação de emprego e milhões de euros gerados para a economia nacional.

A White, nos 16 anos após a sua aquisição, já contribuiu para o PIB de Portugal em mais de 800 milhões de euros.

O Grupo OMNI pegou numa White em 2006 com apenas 72 colaboradores, desenvolveu a operação, cresceu, deu lucro e aumentou o seu número de colaboradores até um máximo de 297 colaboradores, criando desta forma 225 postos de trabalho.

Além destes postos de trabalho diretos na White, este crescimento da empresa implicou o aumento de 36 postos de trabalho indiretos, ao nível da empresa de manutenção do grupo.

A White Airways, até ao deflagrar da Crise pandémica, era uma empresa com resultados positivos, exportava consistentemente serviços no valor de cerca 1/3 da sua faturação, contribuindo para o saldo positivo da Balança de Transações Correntes em cerca de 15 milhões de euros por ano.

A Comissão Executiva da TAP quer tentar justificar o injustificável, ofendendo e lesando o bom nome de uma empresa portuguesa de serviços aeronáuticos com mais de duas décadas de operação no mercado, de criação de emprego, de obtenção de resultados positivos e de contributo para a economia nacional.

A TAP foi capitalizada pelo Estado para defender a economia portuguesa.

A TAP foi capitalizada pelo Estado ao invés das companhias privadas portuguesas.

A TAP recebeu dinheiros públicos para evitar impactos negativos na economia portuguesa.

A Gestão da TAP, com dinheiros públicos, vai trocar uma empresa portuguesa por uma empresa estatal da Estónia gerando um quadro de:

  • desemprego de 120 trabalhadores qualificados;
  • insustentabilidade de uma empresa que se constituiu num ativo da economia nacional;
  • hostilidade com uma empresa que tem de ser parte da resolução do processo da devolução das aeronaves ATR, cujo leasing foi resolvido pela atual administração, com custos superiores aos pagamentos das mensalidades em vigor no contrato.

Para tentar justificar um ato de gestão em que a TAP, altamente capitalizada com recursos públicos, troca uma empresa portuguesa, que não recebeu nenhum apoio do Estado além dos disponibilizados para toda a economia, por uma empresa da Estónia, propriedade do Estado e apoiada por este no âmbito das compensações pelos impactos da pandemia, foi emitido um comunicado lamentável, hostil e lesivo do nome da empresa no tom e no conteúdo.

Foto @ Pedro Aragão.

A TAP QUIS QUE A MANUTENÇÃO DA PORTUGÁLIA FOSSE ARGUMENTO

A Gestão da TAP sabe ou devia saber que a fiabilidade de uma fota de turbo propulsão é sempre inferior a uma frota de jatos. Possivelmente, por isso, em agosto e setembro de 2021, a Gestão da TAP utilizou o early termination para toda a frota ATR, muito antes do período agora referido para alegar a falta de fiabilidade de operação da White Airways, numa opção que custará mais de 20 milhões de euros.

A manutenção é um dos principais, senão o principal fator da fiabilidade da operação.

O comunicado de quarta-feira omite que um dos pressupostos da operação, da construção da fiabilidade e da regularidade, é a manutenção de linha (a que permite o despacho dos aviões), que, por imposição da TAP, era da responsabilidade da Portugália, empresa do universo TAP.

Face à capacidade de resposta da manutenção, a White disponibilizou-se em diversos momentos junto da Gestão da TAP para realizar a manutenção de linha, dado o desconforto da Portugália na realização das manutenções neste tipo de frotas.

A White tinha e tem essa capacidade e competência. Por diversas vezes, a Gestão da TAP recorreu a técnicos de manutenção da White, mas a orientação sempre foi a de proteger a Portugália, apesar dos reiterados prejuízos, em contraste com os resultados positivos da nossa empresa, até à pandemia.

A verdade é que o tratamento dos temas de manutenção da frota operada pela White sempre foi deixado para uma segunda (senão última) prioridade, em benefício do tratamento de totalidade da frota da Portugália.

A prova de que existia um problema estrutural na manutenção é da contratação de um técnico de ATR, a peso de ouro, no pico do verão, pela gestão da TAP, depois de várias tentativas de paliativos através da contratação de mais mecânicos para resolver os atrasos da intervenção de Portugália.

O problema estrutural da manutenção da Portugália, que condicionou a operação da White, foi afinal o ponto central da construção de uma narrativa para a troca de uma empresa portuguesa por uma empresa não nacional, com prejuízo para o emprego, um ativo nacional e a economia nacional.

O Comunicado da Comissão Executiva sublinha a linha de premeditação da solução agora encontrada com prejuízo para uma empresa portuguesa, o emprego e a economia nacional, faltando ao acordo que existia para a não divulgação do término do contrato antes do final de 31 de outubro, por razões de segurança da operação em curso.

Premeditação quando é fundamentada a opção da TAP pela empresa da Estónia, com base na regularidade da operação determinada pela capacidade de resposta às necessidades de manutenção da responsabilidade da Portugália, que é TAP.

Premeditação quando o critério de exclusão do concurso é o da regularidade da operação em que apenas existem registo da White Airways.

Premeditação pela informalidade com que o concurso foi lançado, com um âmbito mal definido, sem qualquer regra de seleção publicada ou caderno de encargos. Afinal era mesmo “só para inglês ver”.

Depois da early termination dos leasings dos ATR, que custará mais de 20 milhões de euros à empresa capitalizada pelo Estado português, a Gestão da TAP decidiu contra uma empresa portuguesa, o emprego de 120 trabalhadores qualificados e um ativo da economia nacional.

Construiu e quer construir uma narrativa em que sacode a água do capote das suas responsabilidades nos resultados e na operação, mas não deve, nem pode, hostilizar e denegrir uma empresa portuguesa que teve e tem um compromisso com o setor da aeronáutica do país e com os portugueses, que não foi capitalizada com recursos públicos.

Não pode nem deve hostilizar e denegrir uma empresa portuguesa que manteve compromisso com o serviço prestado e ainda é parte de processos que precisam de ser fechados para serem resolvidos, como acontece com os ATR.

A White Airways continuará a trabalhar para salvaguardar soluções para os 120 trabalhadores lesados pela opção da TAP e para a viabilidade de um projeto empresarial com lastro, experiência e competência em Portugal e no Mundo.”

 

 

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