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Desastre da FlyDubai – Novo vídeo mostra queda veloz e abruta do avião

As autoridades russas localizaram as duas caixas negras do avião Boeing 737-800 da FlyDubai que se despenhou na madrugada do passado sábado, dia 19 de março, no aeroporto de Rostov-on-Don, no sul da Rússia (LINK notícia relacionada), mas receiam que de lá não se possam extrair as gravações de dados e de voz fundamentais para a comissão de inquérito prosseguir os seus trabalhos.

Ambos os dispositivos estão muito danificados, numa primeira análise. Contudo, já estão na posse da comissão técnica que acompanha o inquérito, e que procurará ajuda especializada para tentar recuperar o máximo de dados possíveis.

Especialistas que acompanham as investigações têm se manifestado muito intrigados pelo fato do avião ter descido de forma abruta sobre a pista, a uma velocidade que não arriscam sequer prever, mas que foi de tal forma que provocou a pulverização dos destroços e dos corpos das 62 pessoas que seguiam a bordo. Um porta-voz do Ministério das Situações de Emergência da Rússia disse a jornalistas no domingo que tinham sido recolhidos cerca de 200 fragmentos de corpos, e alertou que outros pequenos despojos humanos serão ainda encontrados entre os destroços que se espalharam por uma área de cerca de um quilómetro quadrado e meio.

Há muitas dúvidas acerca da forma como tudo aconteceu. E há questões que, naturalmente, precisam ser esclarecidas. Nomeadamente: porque o comandante esteve a aguardar cerca de 02h30 pela melhoria do tempo, quando havia um aeroporto alternativo a cerca de 300 quilómetros; porque o comandante não declarou emergência quando se apercebeu de um mau funcionamento grave do aparelho (se isso aconteceu); porque foi escalado um comandante que nunca aterrara em Rostov-on-Don num voo noturno e com previsão meteorológica desfavorável.

Uma última questão, entre certamente muitas outras, não encontra resposta imediata entre os investigadores: a velocidade com que o avião impactou no solo. Houve quem aventasse a hipótese da aeronave estar sem combustível, mas a hipótese foi desvalorizada e não pode ser considerada, pois quando o aparelho cai há uma explosão muito violenta, com grande clarão de fogo, ocasionado certamente pelo ainda muito combustível que tinha nos tanques.

Nesta segunda-feira, 23 de março, dia em que foi retomado o movimento no Aeroporto de Rostov-on-Don, Denis Burtsev colocou no canal Youtube um vídeo obtido por uma câmara de vigilância de uma zona superior ao local do desastre, em que mostra uma panorâmica suficientemente perceptível da queda do avião e consequente explosão após o impacto. Como se pode ver em seguida, a velocidade é muito grande e mostra a queda descontrolada do Boeing 737-800.

Na legenda do vídeo está escrito “Queda do Boeing em Rostov-on-don na visão de Alexandovka”. A data e a hora constantes na gravação coincidem com a hora do desastre. Pormenor interessante: o filme mostra uma noite com boa visibilidade, ao contrário do que tem sido afirmado.


 

2 Comments

  1. Acho que o Boeing estava muito rápido e o cmdt acionou os ‘speed brake’ para tentar diminuir a velocidade, levando a aeronave a perder a sustentação, essa ação poderia ser consequência do cansaço da tripulação que ficou 02 horas e 30 minutos sobrevoando a região esperando a melhora do tempo. O mesmo aconteceu com o voo 801 da TransBrasil em 1989, quando um Boeing 707 cargueiro que fazia a rota Guarulhos-Manaus-Guarulhos se acidentou pouco menos de 3 km da pista deixando 25 mortos, (3 tripulantes e 22 em terra).

  2. Enderson Rafael

    Vinicius, há aparentemente muito pouca correspondência deste acidente com a do Transbrasil que você citou. Eram momentos distintos do voo, em aeronaves muito diferentes: o 707 não tinha controle automático de potência e seu speedbrake era muito mais efetivo que o do 737NG.

    De qualquer forma, sobre o artigo, observo que o metar do momento do acidente não trazia a visibilidade como fator crítico (o teto era de confortáveis 1400ft numa aproximação com mínimos de apenas 200ft), mas sim o vento, mas que ainda que fosse forte (27 nós com rajadas de 42), era praticamente de proa.

    Com relação a um comandante que nunca esteve num aeroporto ser enviado para este é algo totalmente comum, e fazê-lo diferente tornaria as operações aéreas impraticáveis. A espera de 2h30 com um alternado próximo se justifica pois, desde a decolagem já estava decidido que a aeronave teria bastante margem de combustível, ao ponto de mesmo após essa longa espera, o avião ainda contar com quase 2 horas e meia de combustível disponível.

    O que possivelmente será decisivo nesse acidente, e que descobriremos rápido juntando este vídeo à completamente normal comunicação com os orgãos de controle de tráfego e dados das caixas de voz (CVR) e parâmetros (FDR), serão aspectos que envolvam fadiga, formação de gelo e perda de controle em voo, seja por alguma falha catastrófica da aeronave, seja por um erro da tripulação.

    O Boeing 737 é um jato potente, e estando leve como estava, se comporta de forma enérgica numa arremetida, exigindo atenção da tripulação. Se alguma coisa sair do normal, a resposta precisa ser rápida. Duas horas voando em condições de possível formação de gelo pode ser algo que se revele importante ao longo da investigação.

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