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Piloto brasileiro compra sucatas de Boeing 737-200 da VASP para adaptar a salas de eventos

Depois de nove anos “esquecido” no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, no Brasil, um cargueiro Boeing 737-200 chegou à nova casa, em Araraquara (a 273 quilómetros do centro da capital paulista), no final da semana passada.
O avião, fabricado em 1978, é a segunda aquisição do piloto Edinei Capistrano, de 58 anos de idade. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, a aeronave foi arrematada por 133 mil reais (cerca de 42 mil euros).
Piloto de voos executivos, Capistrano investiu nos dois aviões-sucatas – o primeiro foi em 2012 – para unir a paixão pela aviação aos negócios.
Os aviões foram arrematados em leilões da Justiça para a venda da massa falida da antiga companhia aérea Vasp, decretada em 2008.
Apesar de ainda não ter concluído as obras de adaptação e decoração do primeiro avião, um Boeing 737-200 para passageiros, Capistrano disse que não podia “perder a oportunidade” de arrematar o cargueiro.
“Esse modelo tem configuração e design diferentes dos aviões actuais. Não podia deixar que ele virasse sucata.”
Os gigantes, com 33 metros de comprimento e 30 metros de envergadura, “descansam” num terreno que tem uma área de 13 mil metros quadrados, mas não por muito tempo.
“O avião de passageiros receberá celebrações de casamento e o cargueiro comportará mesas para festas com lotação até 110 pessoas.”
O piloto disse que já recebeu pedidos de aluguer, mas que só vai fazer os eventos após toda a estrutura estar pronta.
O primeiro avião custou 140 mil reais (cerca de 44 mil euros), mas o transporte custou o dobro. O piloto, que ainda comprou o terreno para abrigar os aviões e fez obras no local para criar acessibilidades, não revela o gasto total.
Calcula-se que no total dos aeroportos brasileiros ainda existam cerca de 50 aviões de passageiros, totalmente inoperacionais e muitos destruídos, que foram abandonados pelas companhias aéreas que faliram nos últimos 20 anos, nomeadamente a Varig, Vasp, Transbrasil e BRA. Só desde há poucos meses é que a Justiça brasileira começou a despachar com carácter definitivo os processos das penhoras, que obrigam à venda em hasta pública do que resta desses aparelhos.

  • Este texto foi adaptado de um artigo da jornalista Isabela Palhares, publicado hoje no portal da Folha de São Paulo. A foto foi também publicada na Folha de São Paulo e é da autoria de Silva Júnior/Folhapress. Mostra o piloto junto da sucata do segundo avião, que na sua viagem de Guarulhos para o local de destino foi alvo de diversas peripécias, desde a detenção pela polícia até à proibição de entrada em algumas localidade por ser carga rodada que ultrapassava as limitações previstas na legislação. Mas tudo foi resolvido e isso mostra o empenho e persistência deste piloto brasileiro em dar uma nova vida aos Boeing que estiveram muitos anos no registo da aviação comercial do Brasil.

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