Presidente da LATAM Brasil confirma despedimento de 2.700 tripulantes

A LATAM Airlines Brasil vai mesmo despedir 2.700 tripulantes (pilotos e assistentes de bordo, também designados por comissários no Brasil), o que representa quase 40 por cento do seu quadro de pessoal navegante.

A notícia é confirmada na manhã desta quinta-feira, dia 13 de agosto, pelo presidente executivo da companhia aérea em entrevista ao jornal ‘Folha de S. Paulo’. Jerome Cadier adianta que os despedimentos começarão já nesta semana e resultam do fracasso das negociações para um acordo com os sindicatos para redução da massa salarial na empresa, neste caso concreto com o pessoal de voo.

Segundo Jerome Cadier, o ajuste é necessário diante da crise do setor aéreo e do fracasso na tentativa de equiparar os salários pagos pela empresa com os da concorrência, em média 30% menores. GOL e Azul pagam menos aos seus colaboradores e não há previsão de que, nos próximos dois anos haja uma recuperação de tráfego que justifique manter esse pessoal, cuja manutenção segundo a empresa, resultaria numa situação insustentável.

O jornal destaca que o corte de pessoal não deve ter impacto sobre a operação da LATAM Airlines Brasil, “dado que a quantidade de voos caiu de 750 por dia antes da pandemia para 150 atualmente”. “Com a expectativa de um período prolongado de demanda retraída, o quadro reduzido deve ser suficiente até pelo menos o final do próximo ano”, diz Cadier.

A empresa não descarta retomar uma renegociação salarial, dado que a diferença em relação à concorrência persiste. “Acreditamos que em algum momento os nossos colaboradores vão começar a entender que não dá para preservar privilégios”, afirma o responsável pela gestão da maior companhia aérea latino-americana no Brasil.

Jerome Cadier, na entrevista concedida à ‘Folha’ assinala que “na medida em que a gente fala dos cenários de recuperação da quantidade de voos, provavelmente esses 2.700 não iriam ser necessários até o final do ano que vem”. E prossegue: “Se no final do ano que vem a gente perceber que o mercado está retomando mais rápido do que a gente imaginava, talvez a companhia volte a contratar. Mas não valia a pena a gente manter o quadro sendo que voamos hoje 150, 200, talvez no final do ano 400 voos, quando esse mesmo quadro operava 750 voos diários.”

Até agora a empresa sobreviveu à pandemia sem nenhum aporte governamental. A expectativa é que um financiamento seja autorizado nos Estados Unidos, onde a empresa decretou recuperação judicial, ainda nesta semana. Com essa previsão, a LATAM consegue se financiar sem um aporte do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social, entidade pública que financia a longo prazo e investe em todos os segmentos da economia brasileira], diz Cadier, embora as negociações com o banco sigam em curso.

Nesta quarta-feira, dia 12 de agosto, LATAM e Azul iniciaram as vendas de bilhetes em code share num pacote de 64 rotas de ambas as companhias, concretizando assim um acordo assinado em junho passado. “Uma operação que gerou especulações quanto a uma possível fusão das empresas ou compra da LATAM pela Azul”, escreve a ‘Folha de S. Paulo’. No entanto, Jerome Cadier, nesta entrevista, descarta essas hipóteses.

 

  • A imagem de abertura é meramente ilustrativa. Foi obtida em setembro de 2018, antes da partida do primeiro voo da LATAM Airlines Brasil entre os aeroportos de Lisboa, em Portugal, e de Guarulhos, na cidade de São Paulo.

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