SATA confirma que há interessados na compra de 51% do capital da Azores Airlines

O presidente da SATA anunciou nesta quinta-feira, dia 22 de dezembro, que há, pelo menos, “meia dúzia de interessados” na privatização de 51% da Azores Airlines, mesmo sem estar concluído o caderno de encargos.

“Já tivemos meia dúzia de manifestações de interesse, mas só depois de o caderno de encargos estar pronto é que terão de falar com quem de direito [o acionista Governo Regional], e definirem se o interesse é material ou não”, explicou Luís Rodrigues, atual presidente do Conselho de Administração do Grupo SATA, ouvido na comissão da Economia do parlamento açoriano.

Luís Rodrigues, que foi recentemente indigitado pelo Governo Regional dos Açores para continuar a gerir os destinos da companhia aérea açoriana (como presidente executivo da futura SATA Holding, AS), adiantou ser provável que apareçam ainda mais interessados na aquisição de, pelo menos, 51% da Azores Airlines, embora a expetativa seja que só “dois ou três” apresentem propostas.

“Acredito que, por aquilo que conheço, haja dois ou três que concretizem e que tenham interesse em dar continuidade ao processo”, disse Luís Rodrigues, que garantiu também que a SATA não terá necessidade de recorrer à banca, a partir de agora, e que a empresa deverá tornar-se “autossustentável”, depois do processo de privatização da Azores Airlines estar concluído.

O processo de reestruturação da SATA, que está a ser acompanhado pela Comissão Europeia, prevê que, além da privatização parcial da Azores Airlines, a companhia aliene também a SATA Handling, que se dedica ao transporte de bagagem dos passageiros da SATA, mas o administrador não está ainda convencido dessa necessidade.

“Neste momento, diria que seria mais razoável a SATA assumir que faz o seu próprio handling, e ficar com os seus próprios trabalhadores”, defendeu, em resposta a uma questão levantada pelos deputados, preocupados com o futuro dos cerca de 400 trabalhadores daquela empresa.

Os parlamentares quiseram também saber se a SATA irá concorrer às obrigações de serviço público nas ligações aéreas entre os Açores e o continente, que atualmente dão prejuízo (Lisboa/Santa Maria, Lisboa/Pico, Lisboa/Horta e Funchal/Ponta Delgada) e serão financiadas, em 2023, pelo Estado em cerca de nove milhões de euros.

“Diria que deve ficar no caderno de encargos que a SATA, na sua nova estrutura acionista, tenha sempre de apresentar uma proposta”, respondeu o administrador, adiantando que, se a transportadora regional “perder” o concurso “não vem mal nenhum ao mundo”, porque significa que “alguém estará a fazer a mobilidade dessas gateways [portas de entrada]”, o que é “o mais importante de tudo”.

Os deputados questionaram também Luís Rodrigues sobre os resultados operacionais de algumas rotas que a Azores Airlines está a realizar, nomeadamente para Nova Iorque, Boston e Paris, que alegadamente têm tido pouca procura, mas o administrador entende que “há rotas que levam algum tempo a consolidar” e adiantou que a operação em Nova Iorque poderá render muito dinheiro.

 

Azores Airlines ganha slots no Aeroporto de Nova Iorque/JFK para operação diária

“Tivemos a notícia de que nos foram atribuídos os slots [lugares de estacionamento de aviões] em Nova Iorque, nomeadamente no Aeroporto J.F. Kennedy, para uma operação diária em 2023 e, se tudo correr bem, esses slots passarão a adquirir um caráter histórico”, explicou Luís Rodrigues, adiantando que “só esses slots podem valer mais do que toda a companhia”.

O administrador da SATA, que foi nomeado, pela primeira vez, pelo anterior executivo socialista, foi reconduzido agora pelo atual executivo de direita, e foi ouvido no parlamento na sequência da imposição do estatuto do gestor público regional, que obriga os administradores indigitados a prestarem depoimento junto dos deputados.

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